A automedicação não é apenas um risco individual, mas um desafio atual e crítico para a saúde pública brasileira. Segundo dados recentes do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), órgão da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vinculado ao Ministério da Saúde, confirmam que os medicamentos ocupam o primeiro lugar no ranking de agentes causadores de intoxicações no país.
Diante deste cenário, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) intensifica o alerta sobre os perigos desse hábito, muitas vezes motivado pela busca por alívio rápido, mas que pode trazer consequências graves como reações adversas severas e o mascaramento de doenças. O alerta ganha força com a celebração do Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, comemorado em 5 de maio.
Estudos realizados pelo Hospital Sírio-Libanês, revelam que 71,8% das internações prolongadas em pacientes com mais de 60 anos ocorrem devido ao uso inadequado de remédios e ao aumento significativo de reações adversas. O uso sem orientação adequada pode transformar o que deveria curar em uma ameaça à saúde, silenciando alertas vitais do organismo e atrasando diagnósticos cruciais.
“Muitas vezes, o paciente chega às nossas unidades com o quadro clínico agravado e com complicações que poderiam ter sido evitadas se não tivesse tentado resolver o problema sozinho em casa”, destacou Gilcélia Menezes, diretora da Assistência Farmacêutica da Secretaria Municipal de Saúde.
Para combater essa prática, a SMS tem priorizado a qualificação contínua de suas equipes para garantir a segurança dos pacientes, contando atualmente com 62 profissionais especialistas na área do cuidado farmacêutico. O objetivo é assegurar que o suporte técnico chegue de forma assertiva à população.
“O farmacêutico é um agente de saúde fundamental para prevenir esse uso inadequado e evitar efeitos adversos, garantindo a eficácia do tratamento”, reforça a diretora.
Conforme Gilcélia Menezes, o profissional de farmácia atua como um elo vital no tratamento, garantindo que a medicação considere o histórico do paciente, outras doenças associadas e os remédios já utilizados. Esse suporte técnico é complementado pela avaliação médica nas unidades de saúde, que é a única forma segura de identificar a causa real de um sintoma antes de prescrever qualquer substância.
“A automedicação é uma armadilha porque silencia a dor, mas permite que a patologia avance silenciosamente. Sem uma avaliação clínica, o paciente corre o risco de sofrer intercorrências perigosas e ainda contribuir para a resistência bacteriana pelo uso indevido de antibióticos”, pontua o médico Felipe Montenegro, diretor-técnico da UPA Cruz das Armas. Segundo ele, a orientação profissional é o cuidado essencial contra efeitos adversos graves garantindo que o tratamento ataque a raiz do problema e não apenas mascare o desconforto inicial.
Para combater essa prática, a gestão municipal orienta que a população utilize a estrutura das Unidades de Saúde da Família (USF) para qualquer mal-estar persistente. Ao seguir rigorosamente a prescrição e buscar auxílio técnico, o cidadão não apenas protege sua saúde individual evitando danos ao fígado, rins e reações alérgicas severas, mas também contribui para a eficiência do sistema público, garantindo que os medicamentos cheguem a quem realmente precisa de forma consciente e segura.
Em casos de suspeita de intoxicação ou reações inesperadas, a orientação é buscar imediatamente uma das Unidades de Pronto Atendimento (UPA), distribuídas nos bairros da Capital.
