Nº 59 | setembro / outubro 2014
Letras Valeparaibanas

Lembranças de Francisco de Assis Barbosa | Alberto Venancio Filho

Francisco de Assis Barbosa nasceu em Guaratinguetá em 21 de janeiro de 1914, filho de Benedito Lourenço Leme Barbosa e Adelaide Limongi Barbosa e faleceu em 8 de dezembro de 1991. Radicou-se no Rio de Janeiro, mas conservou-se sempre ligado à cidade natal.

Francisco de Assis Barbosa fez o curso primário no Ginásio Nogueira da Gama na cidade natal e em seguida cursou o Ginásio Municipal São Joaquim em Lorena com os padres salesianos.

Vindo para o Rio de Janeiro, formou-se em 1935 pela Faculdade Nacional de Direito da então Universidade do Brasil. Era um período de extrema agitação política e de exacerbação ideológica no país, os estudantes se inclinando para a direita ou para a esquerda. Não se tem notícia de que Francisco de Assis Barbosa tenha participado ativamente desses movimentos, mas teve na Faculdade de Direito - naquele momento em fase áurea - grandes professores como Philadelpho Azevedo, Gilberto Amado, Hahneman Guimarães e Edgardo de Castro Rebelo, que se tornou um de seus grandes amigos.

A Edgardo de Castro Rebelo, grande mestre que durante quatro décadas foi figura exponencial da Faculdade de Direito, Francisco de Assis Barbosa devotou a mais fiel amizade, frequentando assiduamente a casa da Rua Álvares Borgeth, onde recebia os amigos e discípulos que se encantavam com a cultura e erudição. Após morte do professor organizou o volume "Mauá e outros Estudos", reunindo trabalhos esparsos fora dos estudos jurídicos. O volume reedita entre outros os artigos de polêmica reunidos no livro "Mauá - Restaurando a Verdade", em que contestava afirmações do livro de Alberto de Faria sobre o grande empresário. Inclui a carta-prefácio sobre Administração Pública no Brasil, síntese excelente da nossa história e estudos sobre Joaquim Nabuco, Capistrano de Abreu e Pedro Lessa e trabalhos de vária ordem. O prefácio de Francisco de Assis Barbosa é modelar no fundo e na forma, na medida daquele grande mestre.

Formado, volta à cidade natal. Escreveria Ribeiro Couto: "Guaratingueta é foro de luxo, cidade de luxo, o clube, o Coronel Benedito Rodrigues Alves jogando bilhar, a estátua do Conselheiro na praça, as moças vestidas com elegância. Meta a cara numa promotoria em São Luiz do Paraitinga, numa daquelas cidadezinhas dos sertões cafeeiros, onde a gente anda de chinelo conversando com o juiz, ou cuide de entrar para o Itamaraty".

Francisco de Assis Barbosa não entrou para a diplomacia e se embrenhou nos sertões cafeeiros, como delegado de polícia em São Luiz do Paraitinga, cidade da serra onde nascera o grande sanitarista Oswaldo Cruz, em Queluz e em outras cidades do Vale do Paraíba, terminando em Aparecida a experiência como policial. Ligado ao grupo de Armando Sales de Oliveira, o grande interventor de São Paulo, foi exonerado do cargo com o Estado Novo, e voltou para o Rio de Janeiro a fim reiniciar a brilhante carreira.

Recebendo notícia de que Francisco de Assis Barbosa voltara ao jornalismo no Rio, escreve Ribeiro Couto: "Caboclinho, recebi aqui com a Europa em guerra sua carta de 23 de agosto. Trouxe-me a saborosa agitação do jornal. Por pouco eu descia a escada e ia lá falar com o gerente, fazendo um vale".

O jornalismo foi a atividade que desde logo o atraiu, pois a iniciara ainda estudante como redator de "A Nação" em 1934, e no "Imparcial" em 1935. Participou mais tarde como redator dos jornais e revistas A Noite, A Noite Ilustrada, Vamos Ler, Carioca, Diretrizes (1938 a 1942). Posteriormente foi colaborador da Revista do Globo, do Correio da Manhã em 1954, do Diário Carioca, do Estado de São Paulo, da Folha da Manhã de São Paulo e da Última Hora de 1951 a 1956, na fase áurea desse vespertino.

Editou os excelentes Cadernos do Jornal do Brasil, comemorativos do quarto centenário da fundação da Cidade do Rio de Janeiro em 1965 e, posteriormente a reedição de três números da Revista do Brasil, dedicados à Inconfidência Mineira, à República e à Revolução Francesa.

Algumas de suas reportagens ganharam perenidade e foram publicadas em livro. No volume "Reportagens que Abalaram o Brasil" de 1973, com introdução de Magalhães Júnior foi divulgada a entrevista "Euclídes da Cunha não foi assassinado", com o depoimento de Dilermando de Assis.

Em 1942 publica em colaboração ao livro "Homens não falam demais" em colaboração com Joel Silveira, reunindo reportagens feitas por ambos. Se o volume não tivesse a indicação da autoria, seria difícil identificá-las, porque os autores tinham o mesmo estilo apurado. Enquanto o jornalista Joel Silveira tratou em sua maioria de políticos, as de Francisco de Assis Barbosa são variadas, incluindo músicos, escritores, juizes, pintores e somente um único político, J. J. Seabra.

Em janeiro de 1944 Francisco de Assis Barbosa reúne no volume Testamento de Mário de Andrade e Outras Reportagens, o depoimento no qual o autor de Macunaíma aprofunda a denúncia de sua geração, tal como fizera na conferência do Itamaraty dois anos antes, com a apologia do intelectual participante e conclui: "O artista não só deve, mas tem que desistir de si mesmo. Diante de uma situação universal de humanidade como que atravessamos (estamos em 1944) não podemos deixar que os problemas profissionais dos indivíduos se tornem tão reles que causam nojo".

"Retratos de Família" em 1956 reúne entrevistas feitas quase todas com filhos de grandes figuras da intelectualidade brasileira. Nessas entrevistas se destaca o raro talento de jornalista que, de forma inteligente, vai revelando o retrato do personagem com as confissões dos parentes. No prefácio da segunda edição comenta Josué Montello: "Francisco de Assis Barbosa, em tudo que lhe sai da pena, tem este propósito: comunicar-se diretamente com o seu leitor".

Em livro a que deu o título "Achados do Vento", extraído das Ordenações do Reino, Francisco de Assis Barbosa reuniu trabalhos esparsos, todos trazendo a marca da probidade e da excelência. Na introdução, "Explicação talvez Necessária" fala da maioria das reportagens que integram o livro: "Prefácios, palestras, aula, conferência, entrevista, reportagem e observações, entendi chamar a tudo reportagens literárias, pois na verdade jamais consegui me libertar do figurino jornalístico. Em tudo que faço há traços de repórter".

É preciso qualificar essa afirmação, pois se nesse trabalho como em todos os outros há a marca do repórter, o estilo leve e agradável e a observação ligeira, em todos eles também a transcendência do repórter, que utiliza com probidade de várias fontes de pesquisa, que analisa e que interpreta. Há repórteres que passam a vida toda somente na sobrevida do cotidiano, na volúpia do dia a dia, jamais superando às limitações profissionais. Creio que se aplica no caso a frase atribuída a Jules Janin: "O jornalismo conduz a tudo - à condição de dele se sair".

Iniciou a carreira literária, ainda estudante de direito em 1934, com o livro "Brasileiro tipo Sete (Notícia de um homem Importante)", obra menor, sem expressão, que praticamente renegou. Exerceu as funções de primeiro secretário na gestão de Manuel Bandeira na Associação Brasileira de Escritores (ABDE). Assumiu o cargo de assistente da direção da Faculdade Nacional de Filosofia sob a gestão de San Tiago Dantas, no momento em que aquele professor de direito tentava retomar o prestígio da instituição. Foi presença atuante no Primeiro Congresso Brasileiro de Escritores realizado em São Paulo em 1945, como elemento da nova geração, ocupando o cargo de Secretário Geral e do qual surgiu uma grande Declaração de Princípios no momento da redemocratização.

Da estada no Rio de Janeiro ocorre um interregno com a volta a São Paulo, para colaborar com Rubem Borba de Moraes e Willian Berrien, que talvez possamos considerar o primeiro dos brasilianistas, no "Manual Bibliográfico dos Estudos Brasileiros", ainda obra fundamental de referência de nossa cultura.

No governo de Paulo Egídio Martins como Governador do Estado de São Paulo e Secretário de Cultura José Mindlin, foi contratado para elaborar um plano de elaboração do sistema arquivístico do Estado, trabalho que não pôde levar a frente, pois logo em seguida José Mindlin pediu demissão por força dos acontecimentos políticos então ocorridos. Como membro do Conselho Federal de Cultura integrou a Câmara de Letras.

Foi coordenador de História do Brasil da Enciclopédia Bass de 1961 a 1965, foi editor, desta vez sob a direção de Antônio Houaiss, da Enciclopédia Mirade Internacional.

Em 1967 a convite de Américo Jacobina Lacombe passou a integrar o corpo de diretores da Fundação Casa de Rui Barbosa, como Diretor do Centro de Estudos Históricos. Nessa função, dirigiu uma série de publicações da mais alta relevância sobre a história republicana, a maioria delas de sua organização, entre as quais se destacam as "Idéias Políticas de João Mangabeira" com introdução de Hermes Lima, "As Idéias Políticas de Júlio de Castilho" com introdução de Paulo Carneiro e "As Idéias Sociais de Jorge Street" com a introdução de Evaristo de Moraes Filho. Também promoveu a edição em vários volumes da publicação "O Clero no Parlamento Brasileiro", organizado pelo Padre Fernando Bastos de Ávila.

Foi redator da Anais e Documentos parlamentares Câmara dos Deputados, Chefe do Serviço de documentação da Presidência da República no governo Kubtschek e nessa ocasião chamou para colaborar o seu grande amigo Antônio Houaiss.

Francisco de Assis Barbosa foi professor da Universidade de Wisconsin nos Estados Unidos, realizando um curso sobre História das Idéias Políticas da República e um Seminário sobre eleições na República. As notas desse curso dariam certamente um grande livro da história das idéias políticas, que, infelizmente, não chegou a escrever. Desta visita resultou a amizade com o historiador Thomas Skidmore, para quem escreveria o prefácio do primeiro livro sobre o Brasil "De Getúlio a Castelo", onde desenvolveu idéias sobre a historiografia.

Eleito para a Academia Brasileira de Letras em 19 de novembro de 1970, tomou posse no dia 13 de maio de 1971, data escolhida por ser a do nascimento de seu biografado Lima Barreto, e foi recebido por Marques Rebelo. O discurso de Francisco de Assis Barbosa, no melhor estilo acadêmico, é um texto leve e agradável, examinando com agudeza a figura do antecessor Augusto Meyer, analisando a vida e obra do ensaísta e poeta, e a participação na equipe que Gustavo Capanema reuniu no Ministério da Educação numa fase de grande florescência cultural.

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Marques Rebelo, em discurso conciso, como de seu estilo, fez o perfil do novo biografado. Lembrou o primeiro encontro na formatura da Faculdade de Direito em 1937 a chamada turma da Alzirinha, da qual fazia parte também o filho de Agripino Grieco, Donatelo Grieco. O prestígio da filha do ditador levou ao teatro uma multidão e quando Agripino Grieco contemplou a platéia, disse: "Que assistência para uma conferência paga!" Após analisar a obra de Francisco de Assis Barbosa especialmente o livro "A vida de Lima Barreto", concluiu o orador: "Hoje, Sr. Francisco de Assis Barbosa, compreendido e imortal, o repelido criador de Isaias Caminha, Policarpo Quaresma e Gonzaga de Sá entra gloriosamente na Casa de Machado de Assis, conduzido por vossa mão, cuja bondade e lucidez não diferem da de João Ribeiro, e dela nunca mais sairá, como um dos seus mais altos dos patrimônios".

Convidado por Afonso Arinos, juntamente com Antônio Houaiss participou da elaboração da História do Povo Brasileiro, cuja parte colonial é de autoria de Jânio Quadros e a parte republicana coube ao próprio Afonso Arinos e esses dois amigos. No volume cinco "A República, As Oligarquias Estaduais", Francisco de Assis Barbosa escreveu os capítulos sobre o quadriênio tormentoso de Prudente de Morais, o de Campos Sales e o primeiro "funding loan", a carreira política de Rodrigues Alves, a carreira militar e política de Hermes da Fonseca, o quadriênio de Epitácio Pessoa e o Fim da República Oligárquica. No volume final "O Brasil Contemporâneo", escreveria sobre o quadriênio de Juscelino Kubtschek e no volume sobre "O Império", retomaria os estudos feitos sobre D. João VI com quatro capítulos sobre A Transferência da Corte Portuguesa, A política internacional de D. João VI, A volta do Rei e a Atuação dos deputados brasileiros nas Cortes constituintes.

O livro "A Vida de Lima Barreto" (1881-1922) publicado em 1952, é biografia modelar, das melhores que já apareceram entre nós. Com modéstia declara no prefácio da primeira edição, que: "longe de ser a análise em profundidade que está a pedir uma figura complexa como a de Lima Barreto, esse livro talvez um pouco extenso não passa na verdade de singela narrativa biográfica, entremeada de alguns episódios da vida brasileira, mais de perto relacionados com o autor de "Triste Fim de Policarpo Quaresma".

Mais adiante diria: "Não tenho pretensões a crítico literário, e não me julgo tão conhecedor da psicologia humana, qualidade que me parecem indispensáveis a quem se aventura a interpretar, em livro definitivo o drama de um grande escritor. Bem mais modesto foi o meu intento. Repórter que tem feito do jornalismo diário o meu ganha pão, tratei apenas de aproveitar com a máxima honestidade o material a mim confiado pela família do escritor, quando o editor Zelio Valverde, por volta de 1945, me incumbiu de organizar as Obras Completas de Lima Barreto. Fiquei assim de posse de uma boa parte do material que constitui hoje a Coleção de Lima Barreto, incorporada a Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional. "E concluía: se algum mérito houver, o que cabe a outros e não a mim reconhecer, será produto da paciência e da habilidade de quem armou o jogo de puzzle que resultou essa biografia".

A crítica discordou desse julgamento, reconhecendo os méritos da biografia. Para Antônio Houaiss "deu-nos Francisco de Assis Barbosa com este livro, a que ouso considerar sem medo a melhor biografia de um escritor brasileiro". E por Tristão de Ataíde "foi destacada como a melhor biografia de um escritor brasileiro já publicada em nossa língua, juízo enfático e perigoso, mas que não é fácil contestar, pois foi escrita com um cuidado, uma objetividade, uma paciência, uma elegância de estilo, um critério de relação documental, e acima de tudo, com um amor, sem desvario que realmente fazem dessa biografia qualquer coisa à altura da biografada".

O livro tem tido várias edições, recebeu o Prêmio Sílvio Romero da Academia Brasileira de Letras na categoria de "Ensaios" e o prêmio de Fábio Prado em 1952. Francisco de Assis Barbosa publicaria ainda o volume "Lima Barreto e a Reforma da Sociedade" (1997), organizaria as Obras completas de Lima Barreto em dezesseis volumes e editaria ainda uma história em quadrinhos da vida de Lima Barreto.

Outra obra importante é o livro "JK - uma Revisão na Política Brasileira" (1960), examinando apenas a fase inicial da vida desse político brasileiro, e que é, de fato, uma história do Império e do início da República. O volume se encerra com a revolução de 1932, e seria seguido do segundo volume, que marcaria as fases seguintes da vida de Juscelino, infelizmente não concluído.

No prefácio à edição de 1987, falava do segundo volume em preparação "(espero concluí-lo em breve)" quando estudo a ascensão e o apogeu, isto é o caminho percorrido pelo auxiliar de gabinete do interventor Benedito Valadares até à Presidência da República (1961). Do terceiro volume, "talvez não necessário", expunha: "mas isto farei se, a par das minhas atividades, que não pretendo encerrar tão cedo, se Deus me ajudar e me der saúde para tanto. Aos 73 anos estou convencido de que hei de terminar muitos projetos que tenho pela frente".

Escreveu numerosos prefácios "A Viola de Lereno" de Domingos Caldas Barbosa, as "Novelas Paulistanas" de Antônio de Alcântara Machado, "Contos" de Machado de Assis, as "Obras Científicas, Políticas e Sociais" de José Bonifácio de Andrade e Silva, "Poesias completas" de Augusto dos Anjos. Preparou ademais a reedição do centenário do romance "A Moreninha", "Memorando dos anos 90", apresentação e seleção de entrevistas e depoimentos de Alceu Amoroso Lima.

Os prefácios e apresentações não eram simples comentários formais, mas análises extensas do livro e da obra em seu contexto. No livro póstumo de Luis Camilo de Oliveira Neto - "História, Cultura e Liberdade" organizado por sua filha Maria Luisa Penna Moreira, menciona os "escritores sem livros". "Lembro-me de Francisco Otaviano, que Joaquim Nabuco chamou "a pena de ouro do Império", de Carlos de Laet, cuja obra daria volumes e toda enterrada nos jornais em que escreveu durante meio século, talvez o mais completo jornalista do Império. É o caso de tantos expoentes: José do Patrocínio, Ferreira de Araújo, Quintino Bocaiuva e Edmundo Bittencourt".

Na crítica literária escreveu a síntese "O Romance, O Conto e A Novela no Brasil" (1839 - 1940) em 1951, traduzido para o francês pela reputada editora Pierre Seghers.

Disse de Francisco de Assis Barbosa Josué Montello: "Afirmativo, dizia em voz alta o que pensava. Sabia discordar, ou melhor não sabia, porque obedecia, na hora da discordância aos seus impulsos de sinceridade veemente". Outro grande amigo Francisco Iglesias testemunhou: "Era simples e de enorme poder de sedução. Inteligente e gentil, um democrata, não distinguia as pessoas senão pelo que eram, não pelos seus títulos. Simpático, risonho e fala mansa. Elegante, vestia-se com discrição. Trabalhador, nunca deixou de estar dedicado a uma causa ou pessoa. Amava os livros e era leitor assíduo de jornais e revistas. Cultivou os assuntos de seu interesse com o pensamento neles ouvindo quem sabia ou queria falar. Sempre aberto e atento, sabia das coisas e das gentes, como jornalista e repórter que nunca deixou de ser.

De palavra fácil, não tinha arroubos de oratória. Jamais fugiu do tom coloquial, fosse na conversa, na tribuna ou na cátedra e sobretudo na escrita fluente e calorosa. A seu redor o clima era sempre ameno e comunicativo". Concluía: "Do homem Francisco de Assis Barbosa, só se pode falar bem - pelo que escreveu, pelo que trabalhou em vários campos, pelo que foi".

Manteve amizade com pessoas da geração anterior, a elas se igualando Ribeiro Couto, Otávio Tarquinio de Souza, Sérgio Buarque de Holanda, Roquette Pinto, Gilberto Freire, Fernando de Azevedo, Afonso Arinos e Pedro Nava.

Uma de suas últimas tarefas foi a reunião e os comentários de extensa correspondência entre Ribeiro Couto e Manoel Bandeira. Como todos sabemos, Ribeiro Couto vivendo no exterior, se correspondia com frequência com os amigos brasileiros e foi epistológrafo notável.

O último trabalho foi a organização e o prefácio da correspondência entre Antônio de Alcântara Machado e Alceu Amoroso Lima, a que deu o título de "Intelectuais da Encruzilhada" e para o qual preparou excelente introdução. O livro é o diálogo entre o escritor recentemente convertido ao catolicismo, o Adeus à disponibilidade, e o jovem paulista oriundo de uma das famílias paulistas de 400 anos, cuja inquietação espiritual se revelava em relação aos episódios do momento. O livro foi editado pela Academia Brasileira de Letras.

Para aqueles que conheceram Francisco de Assis Barbosa, guardaram certamente dele uma imagem agradável, amável e afetuosa que transbordou para os amigos. Para aqueles que não o conheceram terão nessas palavras a lembrança dessa figura excepcional, que duas frases melhor testemunharão a personalidade.

A morte de Francisco de Assis Barbosa foi no cumprimento do dever. Não estando bem de saúde, não quis deixar de viajar para São Paulo, afim de participar da banca de seu amigo Nicolau Sevcenko, onde a morte o colheu.

Disse Josué Montello: "Hei de lembrar-me dele assim pelo resto da vida".

E parafraseando o grande Roquette Pinto: "Francisco de Assis Barbosa, foi bom ter sido seu amigo".

Alberto Venancio Filho é ocupante da cadeira no 25 da Academia Brasileira de Letras e autor, entre outros, dos livros A intervenção do Estado no domínio econômico (1968) e Machado de Assis, Presidente da ABL (2009).

 
 
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