Nº 59 | setembro / outubro 2014
Grafias

Lenda do Corpo Seco inspira primeiro livro de uma trilogia | Da Redação

A estação ferroviária de Guaratinguetá-SP, patrimônio arquitetônico e cultural da região, foi o local escolhido por José Carlos Ribeiro para lançar Tambira, a lenda, o seu primeiro livro.

O enredo se inicia em 1833, com a chegada ao Rio de Janeiro de uma família portuguesa que, imediatamente, se dirige a Bananal-SP, onde o patriarca assumiria os negócios da fazenda de café Ouro Verde.

Após quase duas décadas à frente da Ouro Verde, o proprietário e sua esposa são acometidos de grave doença que lhes ceifa as vidas. Os negócios são assumidos pelo filho do casal, homem agressivo e libidinoso que, embora casado, submete uma escrava sedutora que dele tem um filho: Tambira.

Enquanto cresce, o menino adquire traços de personalidade que o tornam cada vez mais parecido com o pai. Rude, quando adulto torna-se Capitão do Mato caçando negros fugidos, função que cumpria com grande gozo.

Certa feita, em 1906, após seviciar e matar a própria mãe, Tambira, temendo o linchamento popular, refugia-se em Aparecida, fazendo caminho pelo litoral.

Tempos depois, com o povoado em festa, pois que acabara de ser elevado à condição de Vila, o bastardo se depara com um desconhecido que o assassina.

"Que mistério se esconde por trás desta vingança?

Tambira é morto. Seu corpo é rejeitado no céu, no inferno e até a própria terra, enjoada, vomitou seu corpo em estado de putrefação para que fosse ressecado pelo sol e destinado a 'viver' como vivo-morto, um 'corpo-seco'", diz a orelha do livro.

A quarta capa, por seu turno, traz os comentários de Frank Da Silva, diretor da DMT Lab, de Londres, e do artista plástico Gilberto Gomes.

Do primeiro lê-se

"Neste fantástico conto encontra-se paixão, mistério, suspense e terror onde a história nos transporta desde o período imperial brasileiro até os dias de hoje. Uma história em que o autor valoriza as raízes culturais das lendas brasileiras nos revelando um grande escritor".

Já Gilberto Gomes observa

"Ler este livro de J. Carlos Ribeiro é encontrar-se com um passado não muito distante, relembrar estórias dos tempos de menino ouvidas na calçada de minha rua. A 'lenda do corpo seco' com esta roupagem e contexto histórico, imbuída de sentimentos de paixão e terror, despertarão nos leitores o desejo de descobrir mistérios neste fascinante mundo das lendas folclóricas deste nosso rico Vale do Paraíba! Viajar por esta estória, observar seus personagens e viver esta ficção será, com certeza, uma grande aventura".

Incursionando pelo universo mítico do Vale do Paraíba, José Carlos Ribeiro insere a ficção no contexto histórico da escravocrata sociedade cafeeira para dele retirar os elementos de realidade que situam a obra no espaço-tempo, bem como para criar o vínculo de proximidade com o leitor afeito ao tema e às coisas do Vale do Paraíba.

Distribuídos em três partes (Entre o ódio e a paixão; Jogo mortal; e "Vida" macabra) os 27 capítulos que compõem as 152 páginas do livro acontecem em três momentos bem definidos que desembocam na Aparecida do início do século XXI.

A narrativa em terceira pessoa, entremeada de diálogos, se completa com comentários de viés técnicos e de crítica social.

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Diferentemente da tradição oral em Aparecida que fazia do caaparapá o habitat do corpo seco, esse "coisa ruim em vida", J. Carlos o coloca no morro do tabuleiro, porção da serra do Quebra Cangalha próxima da divisa com o município de Roseira-SP. Uma atualização do mito, visto que o antigo caaparapá é hoje um nobre bairro residencial.

Sobre José Carlos é preciso dizer que tem formação teológica, é historiador das religiões judaico-cristãs e suas Escrituras e contribui regularmente com artigos para jornais da região.

Durante a cerimônia de lançamento, J. Carlos Ribeiro falou de seu desejo de completar uma trilogia.

Segundo ele, o próximo livro, já em preparação, terá a própria estação ferroviária de Guaratinguetá como palco e a Revolução Constitucionalista de 1932 como pano de fundo.

Certamente, afirmou o autor, seus personagens fictícios estarão às voltas com os acontecimentos históricos e/ou imaginados por ele como forma de envolver o leitor da primeira à última página.

Ainda não há previsão de quando virão à lume os próximos títulos, mas fica a expectativa do que o autor está preparando.

Enquanto isso, o leitor tem Tambira ao seu alcance, uma obra que, sem que se perceba, é lida de um só fôlego.

Trazendo o selo Spectrum (Terror), da Editora Multifoco, do Rio de Janeiro, Tambira adiciona J. Carlos Ribeiro ao rol de autores vale-paraibanos que se ocupam da temática folclórica da região. Aliás, o lançamento aconteceu no dia 22 de agosto, Dia do Folclore. Coincidência? Ou mais um mistério que somente a leitura do livro permitirá desvendar?

De tudo isso, o que nada tem de misterioso é a limpidez da contribuição do autor para manter vivas as tradições orais da região.
 
 
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