Nº 59 | setembro / outubro 2014
Genealogia

Reconstituindo a História de Aparecida XVI | Benedicto Lourenço Barbosa

Padre Francisco Pereira Rangel


Nascido em Guaratinguetá-SP e falecido na Capela de Aparecida, em 1867, onde possuía casa residencial atrás da própria Capela. Filho de Antonio Pereira Rangel e de Antonia Maria do Carmo, falecida em 1859, na Capela de Aparecida, onde residia. Avós paternos: João Pereira Fialho e Ana Maria Gonçalves. Avós maternos: Francisco da Fonseca Miranda e Maria Pires de Souza. Bisavós paternos: Manoel Pereira Fialho e Maria Madalena de Jesus, esta filha de Margarida Nunes Rangel, a doadora das terras para a construção da Capela e formação de patrimônio de manutenção da mesma Capela.

Eram seus irmãos: João Pereira Rangel, Maria Cecília do Amor Divino, casada com João da Silva Moreira, Ana Maria do Carmo, Gertrudes Maria da Conceição e Antonio Pereira Rangel.

Seus estudos primários e básicos devem ter sido feitos em Guaratinguetá-SP e os estudos eclesiásticos em São Paulo. Ordenado presbítero do hábito de São Pedro (secular ou diocesano) foi Capelão em Aparecida, de 1857 a 1867, com interrupções. Vigário de Guaratinguetá, em 1855. Em 1852 foi nomeado Suplente de Delegado de Polícia de Guaratinguetá e foi eleito Vereador à Câmara de Guaratinguetá para o mandato de 1853 a 1856.

Ao ser inventariado, deixou bens: uma chácara, a casa onde residia na Capela de Aparecida e um terreno que deixou para sua irmã Maria Cecília. A chácara deixou para sua parenta Maria Rita do Bom Sucesso, que dele cuidou por muitos anos.

Em jornal da época, existente no Museu Frei Galvão, consta que organizou, quando Vigário, peregrinação (romaria) à pé para Aparecida, quando solicitou enfeite das ruas e na Capela fez pregação.

Padre Antonio Luís dos Reis França


Nascido na Vila de Guaratinguetá-SP, aos 17-06-1823 e aí falecido aos 26-03-1908, filho do Capitão Antonio Luís dos Reis, Vereador em Guaratinguetá-SP, e de Ana Galvão de França, e por esta neto do Alferes Carlos Galvão de França, bisneto de Maria Galvão de França, irmã do Frei Galvão, Santo Antonio de Sant'Ana Galvão.

Estudou no Seminário do Caraça-MG e, em 1846, foi ordenado presbítero secular ou do hábito de São Pedro. Já sacerdote, voltou para sua cidade natal atuando como religioso e político.

Foi Diretor Municipal do Censo de 1851, 10 Suplente de Delegado, em 1852, e Vereador de 1853 a 1856. Foi Deputado Provincial por cinco vezes, em 1854, 1858, 1860, 1862 e 1880. No último mandato junto com o Deputado Dr. Oliveira Braga, conseguiu que Aparecida fosse elevada à condição de Freguezia, supressa em 1882.

Proprietário da Fazenda Itaguaçu, com grande extensão de terras, e importante cafeicultor, tinha também bom número de escravos que alforriou antes da abolição. Por colaborar com o Governo Imperial durante a Guerra do Paraguai, recebeu a condecoração da Ordem da Rosa, no grau de Cavaleiro.

Foi Capelão de Aparecida-SP, de 1849 a 1853, e Tesoureiro de 1865 a 1868 e em 1889.

Teve com Ana Teresa de Jesus Vieira nove filhos que foram legitimados: Capitão Antonio Nestor de França, que estudou em Louvain, na Bélgica; José Nestor de França, engenheiro pela Universidade de Louvain, na Bélgica; Rosina dos Reis França, que foi sogra do filho do Presidente Prudente de Morais; Neftalina, Carlos, Benedita, Ana de França, casada com Homero Benedito Ottoni, Maria José de França, casada com Climério de Castro Bueno, e Rita.

Padre Francisco Xavier de Gusmão


Nascido por 1780, em Guaratinguetá-SP, e falecido em Aparecida-SP, ao 26-04-1822, com aproximadamente 42 anos.

Filho do Capitão João Peres de Gusmão e de Catarina Maria de Carvalho, casados aos 14-02-1774, em Lorena-SP. Avós paternos: Capitão André Bernardes de Brito (1685-1743) e Margarida Nunes Rangel (1690?-06-07-1776), esta doadora das terras para a Senhora da Conceição Aparecida, em 1744, onde hoje está localizada a "Basílica Velha" e o antigo Centro. Avós maternos: Capitão Lázaro Rodrigues de Carvalho e Ana Pais da Mota. Era descendente dos povoadores do Itaguaçu e Pitas que chegaram em Aparecida por volta de 1650.

Ordenado presbítero do hábito de São Pedro, foi Capelão de Aparecida de 1805 até a sua morte, em 1822, com pequenas interrupções.

Ao falecer, deixou apenas um escravo de nome Antonio, um relógio, um breviário, alguns livros e um crucifixo.

Ao seu tempo de Capelão, a Capela de Aparecida recebeu um sino e, ao que consta, lá permaneceu por muito tempo. Com a instalação dos carrilhões na Basílica "Velha", o sino foi remanejado para a Igreja de São Benedito, na parte baixa do centro da cidade. Hoje, quase não é ouvido.

Padre Francisco Xavier de Gusmão foi Capelão ao tempo do Capitão-Mor Jerônimo Francisco Guimarães, Administrador e Tesoureiro da Capela e que residia atrás da Capela.

Enquanto Capelão, deve ter entrado em contato com Carl Friedrich Phillipp Von Martius e Johann Baptiste Von Spix que visitaram Aparecida, bem como com o artista Thomas Ender e com o pintor francês Armand Julien Palliére, e ainda com o Padre Manuel Aires do Casal, em 1817.

Monsenhor Antonio Martiniano de Oliveira


Nascido na Vila de Guaratinguetá-SP, aos 05-10-1804 e aí falecido aos 22-04-1863, aos 50 anos. Filho do Alferes Inácio Joaquim Monteiro e de Ana Joaquina do Amor Divino. Irmão de Joaquim Anselmo, depois Arcipreste da Sé, em São Paulo, de Francisco de Assis, depois Barão e Visconde de Guaratinguetá.

Fez os estudos básicos na Vila de Guaratinguetá-SP, com o Padre Manuel Joaquim de Oliveira, e habilitou-se para os estudos eclesiásticos em 1822. Foi ordenado presbítero do hábito de São Pedro.

Pesquisas nos Livros de Atas da Câmara de Guaratinguetá (Museu Frei Galvão) comprovam que exerceu o magistério, professor-mestre de primeiras letras da Vila de 1830 a 1846, tendo sido examinador, em 1838, da professora Maria Rita do Carmo para o exercício do cargo para meninas.

Capelão em Aparecida em 1847. No mesmo ano foi nomeado Vigário Colado da Vila de Guaratinguetá-SP, onde permaneceu até a sua morte.

Em 1852, foi convocado para ser Governador do Bispado de São Paulo, ou seja, Vigário Geral, onde permaneceu pouco tempo.

Segundo declaração do Imperador Dom Pedro II, quando esteve em Guaratinguetá, o Vigário Martiniano foi convidado e não aceitou o convite para ser Bispo, por sua modéstia. Fato que nunca revelou.

Fundador do Asilo religioso das "Irmãs do Bom Pastor", em 1856, que recebia mulheres e meninas órfãs, dando-lhes toda a assistência, certamente contando com o apoio das Senhoras da Sociedade da época.

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Quando o jornalista e escritor português Augusto Emílio Zaluar passou por Guaratinguetá-SP, em 1860, em seu livro "Peregrinação pela Província de São Paulo" (pp. 79-81) registrou:

"O atual Vigário de Guaratinguetá é um verdadeiro apóstolo do cristianismo. A sua vida é uma aspiração ao infinito, uma adoração a Deus e um compêndio da piedade e da abnegação... cumpre a sua romaria terrestre consolando os infelizes, enxugando as lágrimas aos que sofrem, mitigando as mágoas aos que se debatem nas ânsias das dores físicas... levando a toda a parte onde o invocam e são precisos, os socorros da religião, a crença, a esperança e a consolação do amor e do espírito divino... faz lembrar o semblante austero de S. Jerônimo... A sua palavra é grave e perplexa, como quem não encontra na linguagem humana frases com que traduzir a sublimidade dos sentimentos que o dominam e as santas ideias que o preocupam. É um peregrino do céu que cumpre resignado, porém beneficamente, a sua peregrinação na terra".

Padre Lourenço Marcondes de Sá


Nascido em Pindamonhangaba-SP, em 1779, e falecido em Aparecida-SP, em 1838. Filho do Capitão Antonio Marcondes do Amaral (1712-1786) e de Ana Joaquina de Sá. Avós paternos: Cirurgião Dioniso Marcone ou Maricondi e Maria Vieira. Avós maternos: Lourenço de Sá, Juiz Ordinário da Vila de Guaratinguetá-SP, em 1734, e Maria da Conceição de Jesus, descendente do Alcaide-Mor Braz Esteves Lemes, Juiz Ordinário em Guaratinguetá-SP e co-fundador da Vila de Pindamonhangaba-SP. Foi presbítero do hábito de São Pedro e Capelão de Aparecida de 1822 a 1833.

Em 1811, era Coadjutor na Vila de Guaratinguetá-SP e, em 1838, voltou a ser Capelão em Aparecida.

Eleito e empossado Vereador da Vila de Guaratinguetá-SP para o período de 1834 a 1836, ainda à época que a Capela de Aparecida era o 2o Distrito da Vila de Guaratinguetá-SP, com direito a Juízes de Paz, Sub-delegado e Inspetores de Quarteirão. Foi Vice-Presidente da Câmara, em 1834, e participou do restrito grupo que compunha o Colégio Eleitoral à época.

Em 1835 vai para a Corte onde prestará serviços; em um texto da descendência de seu pai, o patriarca dos Marcondes no Brasil, consta que ele teria sido Deputado Geral e Provincial, o que não se confirma.

Conviveu politicamente com o Comendador Antonio Clemente dos Santos e o Pe. Vitoriano José dos Santos Dias, primeiros Deputados Provinciais de Guaratinguetá-SP, e com o Visconde de Guaratinguetá.

Proprietário de uma chácara que doou ao patrimônio da Senhora Aparecida, localizada nas "Pitas", atual Santuário de Aparecida, era ainda proprietário de residência na antiga praça, hoje N. Sra. Aparecida, e início da ladeira Monte Carmelo e que atualmente pertence aos descendentes do Maestro Isaac Júlio Barreto, falecido em 1895.

Há notícias que durante seu exercício na Capelania de Aparecida e como Vereador em Guaratinguetá-SP, a praça teria sido calçada com grandes pedras, conforme visualizadas em fotografia da Capela de 1880.

As terras entre o ribeirão do Sá e o ribeirão dos Moraes que foram doadas integralmente para o patrimônio da Nossa Senhora da Conceição Aparecida e que grande parte pertence à Arquidiocese de Aparecida e Congregação Redentorista, foram doadas por Lourenço de Sá, seu avô, e não pelo Padre Lourenço Marcondes de Sá.

Padre Doutor José Alves Vilela


Nasceu em Portugal, por 1696, e faleceu, em 1779, com 83 anos. Seus cursos básicos e eclesiásticos devem ter sido realizados em Portugal. Em processo do Arquivo Judiciário de Guaratinguetá-SP/Museu Frei Galvão, foi encontrada informação que obteve o título de Doutor, o que para a época só poderia ter sido conquistado no exterior, onde deve ter recebido as ordens sacerdotais.

Vigário da Vila de Santo Antonio de Guaratinguetá-SP, de 1725 a 1745, com pequenas interrupções. Foi vigário da Vila de Pindamonhangaba-SP, em 1724, e atendeu por algum tempo no bairro do Facão, depois Vila de Cunha.

Foi Vigário da Vara na região, que o colocava como Superior dos demais Vigários, ou seja, Vigário Geral, tendo atuado em processo, em Taubaté-SP.

Recebeu sesmaria e tornou-se proprietário de terras em Guaratinguetá-SP, no caminho de Cunha.

Recebeu as doações de terras de: Margarida Nunes Rangel, Lourenço de Sá e Fabiana Fernandes Teles e seu marido para a constituição do patrimônio da Senhora Aparecida e construção da Capela para aí ser colocada a imagem da Senhora da Conceição que estava em poder de Atanásio Pedroso. Recebeu ainda doação das terras de Jerônimo Dornelles e sua esposa.

Com doações que recebeu de fazendeiros e sitiantes da época e de devotos da Vila e adjacências, mandou construir a Capela, sendo encarregado da construção o Capitão Antonio Raposo Leme, genro de Margarida Nunes Rangel que realizou a obra com o concurso de seus escravos.

A imagem da Senhora da Conceição foi retirada das águas da margem direita do Rio Paraíba, em rede, pelos pescadores segundo relato registrado 36 anos após o ocorrido entre os dias 16 e 17 de outubro de 1717, o que se pressupõe a partir do diário de viagem do Governador de São Paulo e Minas, Pedro de Almeida Portugal, depois Conde de Assumar.

Obteve aprovação do Bispo do Rio de Janeiro, Dom Frei João da Cruz, visto que São Paulo ainda não era Bispado, para a ereção da Capela, como também autorização para a consagração e benção da mesma, onde celebrou a primeira missa aos 26 de julho de 1745, na presença dos doadores, construtores e fiéis.

Benedicto Lourenço Barbosa é Mestre em Ciência e autor do livro Nossas Origens - 300 anos de História de Aparecida-SP (3 volumes).

 
 
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