Nº 59 | setembro / outubro 2014
Drops

Barão Homem de Mello | Da Redação

Raça degenerada somos nós, que renegamos as glórias tão vívidas do nosso passado, rasgamos as páginas mais brilhantes de nossa história, e cobrimos de insultos uma geração inteira para sobre as ruínas de sua reputação erguer o vulto dos ídolos do dia.

A causa da verdade tem também sua energia. Diante do erro e da calúnia, a história não pode ser uma estátua muda e impassível.

Há nas escolas, nos partidos, nas seitas políticas, uma tendência irresistível para modificar o passado no sentido de suas ideias, e muitas vezes dos seus interesses. Um episódio da história pátria é tratado como uma tese de partido; e a geração passada comparece ante o tribunal das paixões do dia para ser louvada ou vituperada conforme os preconceitos de cada um.

Entre as novas e velhas ideias, a luta era o resultado necessário de uma lei histórica.

O rancor das paixões políticas não é o juízo da posteridade.

A história, cúmplice do sucesso, santifica todas as injustiças contanto que ao lado delas se ponha a força vitoriosa.

As violências dos governos produzem nos ânimos a apatia do terror, lançam nos espíritos suspeitas sombrias que só se dissipam com a sua queda.

As dúvidas e contestações que todos os dias se suscitam entre nós, ainda sobre factos contemporâneos, tornam evidente a grande necessidade que temos de uma coleção autêntica dos documentos de nossa história.

Triste glória fôra essa, que tivesse por pedestal os restos desmoronados da reputação alheia.
É mais honroso avultar no meio de grandes nomes, do que estar só no seio das trevas e da indignidade.

Há na história lugar para todos os grandes homens, sem caluniar a ninguém. A glória não é inimiga da verdade.

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Em presença dos rancores contemporâneos, que se atiram implacáveis sobre o nosso passado, só há um meio de salvar a verdade histórica: é deixar falar os monumentos do tempo, reunir as provas, preparar o processo para a geração vindoura julgar.

Quantos fatos há por aí em nossa história, desconhecidos, desfigurados, diversamente interpretados, só porque um documento jas nas trevas ou enterrado no fundo dos arquivos?
Quantas vezes em falta desses preciosos dados, o historiador perde-se em conjecturas infundadas, em juízos poucos seguros, que transformam a fisionomia de uma época inteira?

A verdade perante o túmulo é um dever sagrado.
 
 
 
 
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