Nº 57 | maio / junho 2014
Artes

Taciany Motta
o alvorecer de uma jovem artista | Alexandre Marcos Lourenço Barbosa

Vez ou outra somos surpreendidos por pessoas que saem do tom. Taciany Motta é uma delas. Promissora, esta jovem artista plástica lorenense vem surpreendendo com sua rápida evolução técnica, o que permite antever, a continuar nessa trajetória ascendente, que em breve se tornará, ao lado de Thiago Hellinger e Caio Germano, um dos representativos nomes do hiperrealismo no Vale do Paraíba.

Os primeiros traços, espontâneos ainda, remontam à infância, característica quase que invariável daqueles que arriscam os primeiros esboços e desenhos em busca da expressão plástica. “Eu sempre gostei de desenhar...”, afirma, “... entretanto, nunca pensei ser capaz de fazer algum desenho realista”.

Incentivada pela família, buscou formação matriculando-se no curso de Francisco Nunes da Silva Filho, em outubro de 2010. Quando, lá chegando, disse de suas pretensões em somente aprender a técnica do grafite, foi interpelada pelo experiente mestre: “Não, não. Você vai aprender tudo aqui”.

E, desde então, grafite, giz pastel e tinta à óleo povoam o universo criativo desta jovem que fez do atelier de Silva Filho, localizado no centro da cidade de Lorena-SP, a sua segunda casa. Em apenas três anos, Taci – como é carinhosamente chamada pelos mais próximos – apurou técnicas que lhe permitem, hoje, enveredar pelo foto-realismo que tanto a inspira desde que conheceu os trabalhos de Valéria Fernandes: “fico maravilhada com suas produções!”.

Embora sua primeira tela colorida (Infância, 40cm x 50cm) tenha sido pintada a dedo e com giz pastel – outra técnica que a diferenciaria –, Taciany preferiu o grafite – quase sempre desenhando rostos –, e o óleo sobre tela, fazendo rápida transição da paisagem e da natureza morta para a pintura de altíssimo nível de reprodução onde cada detalhe não passa despercebido aos seus aguçados olhos de artista.

O exercício constante como recurso para apurar a técnica não dispensa as orientações e dicas, especialmente aquelas vindas de seu mestre Silva Filho e de seu amigo Thiago Hellinger.

Cônscia de que nenhum talento se desenvolve se abandonado à própria sorte, Taciany estuda e pratica com afinco. Folhas e folhas de desenhos, horas e horas diante das telas em busca da perfeição dos traços, da proporção das formas, do equilíbrio das cores, do adequado jogo de luz e sombra. E o resultado já lhe rendeu reconhecimento. Em 2012, participou pela primeira vez, em Guaratinguetá-SP, de um salão de artes plásticas, na categoria acadêmica, e obteve, com uma “natureza morta”, a medalha de bronze. Tratava-se do tradicional Salão de Artes Professor Ernesto Quissak, em sua 27a edição.

Taciany Motta considera-se eclética, atributo geralmente encontrado em quem se inicia em alguma arte, mas, aos poucos, começa a mostrar algumas predileções e definir sua identidade artística.

Recentemente, enveredou-se pelo hiper-realismo pintando, à óleo, um nu artístico – primeiro de uma prometida série – que demonstra re-finada técnica e, talvez, o início de nova fase da artista.

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“Gosto muito de nu artístico – que exprime a beleza do corpo – e pelo processo de sua pintura […]”, mas, ressalva, “[...] minha arte não é obscena. Só quero me expressar de maneira que daqui uns dez anos eu possa libertar cada traço preso no compasso. Com a minha alma falarei”.

Tal preocupação em justificar seu interesse não mais que artístico pelo nu parece vir do desconforto que lhe causa o fato de ser evangélica, desenvolver um projeto de desenho e pintura com crianças em uma igreja de sua cidade e a necessidade interior de libertar-se pela arte, de dizer com alma.

Enquanto não se decide entre o bifurcar e o convergir, entre a espiritualidade da arte e a espiritualidade religiosa, Taciany simples-mente aprende: “Estou há três anos estudando e ainda há muito o que aprender […]. Procuro seguir os passos de pessoas próximas como o do meu professor Francisco, que tem sido de suma importância no meu aprendizado [...]. Nesses três anos é visível a minha mudança. Digo que este meio envolve coisas além da pintura. Conheci pessoas encantadoras, há uma troca de conhecimento incrível. A arte nos permite enxergar de uma maneira diferente, observar ao nosso redor com um olhar mais atento aos detalhes. Além do artista expressar seus sentimentos, ainda é possível ecoar ideias e conceitos sobre a nossa realidade. Enfim, como eu sempre digo, arte é vida!”

Trilhando a vida, esta jovem lorenense de acentuada verve artística vai construindo amizades, se encantando com pessoas, apreciando Rembrandt e Bouguereau, seus preferidos, e, especialmente fazendo desabrochar muita beleza por onde passa.

Alexandre Marcos Lourenço Barbosa é graduado em Filosofia e editor do Jornal O Lince.

 
 
 
 
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