Nº 55 | janeiro / fevereiro 2014
Memória

Padre Pedro Sacilotti, o Mártir do Vale do Paraíba | Brasília Laurito Prado

Por volta de 1886 formou-se o Núcleo Colonial do Norte, em Canas com a chegada dos imigrantes italianos, onde plantaram cana de açúcar para abastecer o Engenho Central de Lorena. Entre as famílias dos imigrantes destacam-se os irmãos Pedro e Antonio Sacilottti.

Segundo ‘Gens Lorenensis’ Pedro Sacilotti foi quem introduziu o arado em terras lorenenses. Já Antonio Sacilotti e sua esposa Genoveva foram pais de Pedro Sacilotti, nascido a 6 de maio de 1898, em Caninhas na Aldeia de Canas.

E nesta mesma época em que chegaram os imigrantes italianos, chegaram também os Reverendos padres Salesianos, italianos, para fundar o Colégio São Joaquim em Lorena, e qual não foi a surpresa de encontrar seus compatriotas, iniciando com os garotos da Aldeia de Canas a catequese e um Oratório Festivo baseado nos princípios de D. Bosco.

Pedro Sacilotti foi um desses garotos noviço salesiano, morando na Escola Agrícola por revelar uma forte vocação sacerdotal.

Prosseguiu sua formação sendo matriculado no Colégio S.Manoel em Lavrinhas para o curso Filosófico. Partindo para Itália estudou no Instituto Teológico Internacional em Turim. Depois de ordenado, voltou para o Brasil e pediu expressamente que fosse destinado às missões de Mato Grosso, na catequese dos índios.

O Pe.Luís Garcia, que foi seu colega, dizia que a sua companhia era doce a amável, que era de uma enorme simplicidade. Nas aulas sobressaía pela inteligência mas tinha uma grande dificuldade de expor o que sabia devido ao defeito da tartamudez ou seja uma gagueira que o preocupava muito.

Padre Pedro Sacilotti trabalhou muito, chegando a dirigir o Colégio de Araguaiana por oito anos, dando todo seu apoio ao Pe. João Fuchs, suíço, mais velho que ele e que desejava catequizar os índios Xavantes, que repeliam qualquer contato com os homens civilizados.

Os índios xavantes andavam pelo Rio das Mortes, mas para que os encontrassem tiveram que atravessar a margem esquerda do Araguaia, percorrendo um terreno difícil, pra então atravessar outro rio, o Cristalino para então chegar até onde provavelmente se encontravam os Xavantes, no Rio das Mortes.

Padre Pedro Sacilotti junto com Pe. João Fuchs fundaram um povoado que lhe deram o nome de Santa Terezinha para que servisse de apoio da penetração em terras indígenas.

Fora muitos dias difíceis onde Pe. Pedro contraiu malária que o deixou muito esquelético e diáfano, mas conseguiu recuperar-se e seguindo em frente com a presença de Pe. Fuchs à procura dos índios Xavantes, cuja presença foi pressentida no dia 1º de Novembro de 1934. No dia seguinte avistaram finalmente os indígenas gritando-lhes palavras em língua Carajás. Mas quis a fatalidade de serem mal recebidos pelos indígenas e no dia seguinte seus companheiros encontraram os cadáveres dos missionários brutalmente assassinados. Ambos foram enterrados na margem do Rio das Mortes.

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Pe. Pedro Sacilotti, o Mártir do Vale do Paraíba, deixou-nos o grande exemplo de simplicidade, de sua religiosidade, lutando sempre pelo seu ideal, levar o amor do Cristo aos seus irmãos indígenas.

A comunidade de Caninhas em Canas ao tomar conhecimento de sua morte, promoveu o restauro da Capela de Santo Antonio onde o mesmo fora batizado.

Pe. Pedro Sacilotti morreu na floresta ( Rio das Mortes) e hoje o lugar onde nasceu a mata atlântica se recompõe.

Bibliografia:
Lembranças dos Missionários Salesianos
Duas Vidas em busca dos Xavantes
Autor: Bartolomeu Giaccaria

Brasília Laurito Prado é pedagoga e professora de Geografia.

 
 
 
 
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