Nº 55 | janeiro / fevereiro 2014
Entrevista

Getúlio Araújo e seu Impressionismo Decorativo | Da Redação

O Lince: Como se deu sua iniciação à Arte?

Getúlio: Ainda com tenra idade, 6 e 7 anos, frequentando o Jardim da Infância no Grupo Escolar Coronel Nogueira Cobra, em Bananal, no prédio Solar Aguiar Vallim, sentia-me atraído pelos afrescos de Villaronga no salão de festas. Nesta ocasião, participando de projeto do Governo do Estado, fui premiado com desenhos de “Ipê amarelo, árvore da integração nacional”. Em Aparecida, sempre fui estimulado pelo tio Sebastião (gerente do Cine Ópera) e por meu pai. Por Dona Doracy Paiva e Dona Ruth Amaral. No La Salle, os irmãos Benildo e Vito. Pós-adolescente, passei a conviver com Guido Braga e Antonio Valentim de Oliveira Lino. Então deslachou.

O Lince: Você é graduado em Desenho e Plásticas. O que representou essa fase de sua formação?

Getúlio: Ensinar artes e desenho era tudo que queria. Assim lecionei em várias escolas de Aparecida, Guaratinguetá, Lorena e até São Paulo. Em Lorena motivamos a criação da Faculdade de Educação Artística. Na Escola de Especialista de Guaratinguetá, quando professor, fui chamado pelo Brigadeiro Stétison Machado de Carvalho (um mecenas) para pintar uma Santa Ceia para o rancho dos alunos. Nesta época gozava de um certo prestígio (ligado as Artes e Artistas) em Guaratinguetá, principalmente em razão dos temas que eram desenvolvidos para o carnaval do Clube Literário (Debret Psicodélico - Rococó - O Baile da Ilha Fiscal, o último do Império - Palácio de Alhambra etc.). Convivia com o grande mestre, meu professor no Instituto de Educação Conselheiro Rodrigues Alves, Ernesto Sérgio Silva Quissak Junior.

O Lince: Que artistas mais influenciaram sua produção?

Getúlio: José Maria Villaronga, Quissak Junior, Julio Braga, Guido Braga, Valentim Lino, Roberto Santos e obras de Miguelângelo, Van Gogh, Rembrandt, Gauguin, Monet, Picasso, Tolouse, Salvador Dali e todos os expressionistas e impressionistas, anônimos, da Praça de República, em São Paulo.

O Lince: A que escola(s) literária(s) você vincula sua Arte? Como você a classificaria?

Getúlio: Embora não tivesse intenção de focar uma escola, diria que me aproximei do impressionismo decorativo.

O Lince: Você também reconhece uma influência do super-realismo. Como você concilia impressionismo e super-realismo?

Getúlio: Pois é! Parecem estilos antagônicos, porém não entendo assim, posto que a luz, a luminosidade prospera forte na reprodução de uma imagem quase sobrenatural.

O Lince: Em “Expressão de Cristo”, por exemplo, o que há de impressionista e o que há de super-realismo?

Getúlio: De impressionismo tem-se as pinceladas rápidas, dinâmicas, quase descompromissadas e do realismo o academicismo, a proporcionalidade do rosto, a expressão suave obtida.

O Lince: Características que você estende a outras obras ou há algum trabalho que, a seu ver, se distancia deste estilo?

Getúlio: Sim! Se distanciam e muito. Mas sempre tive uma predileção pelo figurativo, ainda que reinventado, recolorido, recortado.

O Lince: Que características podem ser encontradas em suas telas?

Getúlio: Não há uma característica específica. Há impressionismo quanto a luminosidade e movimento. Há predominância do expressionismo caracterizado pela forma livre e anti-acadêmica de recriação temática. Há academismo não absoluto.

O Lince: Qual sua preferência temática? O que você apreciava pintar?

Getúlio: Sempre gostei do figurativo expressivo decorativo.

O Lince: Que obra sua melhor o expressa como artista? Por quê?

Getúlio: A pintura expressionista folclórica decorativa. Embora não me considere um artista, atualmente, mas sim um amante das artes. Há uns 40 anos até poderia ser considerado um “artista”.

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O Lince: O que a Santa Ceia que você pintou na Escola de Especialistas de Aeronáutica, em Guaratinguetá-SP, tem de peculiar?

Getúlio: Também é decorativa. Quase acadêmica, inspirada em Miguelângelo e no estilo clássico das “Santas ceias”. Óleo sobre tela amparada por madeira dada ao tamanho.
O Lince: Por ocasião da inauguração do Salão 2000 do Umuarama Clube, você pintou um mural, hoje não mais existente, no hall de entrada do referido salão. Fale-nos um pouco sobre este trabalho.

Getúlio: Um mural essencialmente expressivo, figurativo, decorativo, procurando reproduzir o modo de vida da civilização indígena brasileira - botocudo, guerreiros, ocas (um tributo ao nome indígena Umuarama (“casa de amigos”).

O Lince: Além do óleo sobre tela, você fez uso de outras técnicas artísticas?

Getúlio: Pintei sobre tela, sobre madeira, à óleo e acrílico (produtos Talens, holandeses), além de nanquim. Trabalhei com escultura em barro, xilogravura, litografia e água-forte.

O Lince: Em que momento você decidiu deixar de pintar?

Getúlio: Deixei de pintar quando me mudei do Vale do Paraíba (Aparecida, Guaratinguetá, Lorena). Em São José do Rio Preto, embora ainda no magistério, passei a dedicar-me ao comércio - Restaurante e Churrascaria Sinuelo.

O Lince: Da Arte você migrou para o Direito. Como foi essa passagem? O advogado ocultou o artista?

Getúlio: Sempre fui apaixonado, também, pelo Direito ou melhor, pela Justiça. De outro vértice, necessitando sustentar família, engajei-me na advocacia que de certa forma abafou, sim, toda sorte de manifestação artística que pudesse existir em mim. Não o magistério! Continuei lecionando em São José do Rio Preto, Cedral etc e, posteriormente, na Faculdade de Direito.

O Lince: Durante anos você foi professor de desenho e artes plásticas na Educação Básica e no Ensino Superior. O que significa ensinar Arte?

Getúlio: Penso que é o que gostaria de estar fazendo até hoje. Eventualmente dou (literalmente dou) aulas de arte, história das artes, desenho e desenho geométrico, em escolas municipais e estaduais de comunidades simples daqui de São Paulo. Ensinar Arte (pintura, teatro, escultura, música, dança etc) é promover o ser humano. É dar ao aluno, uma “pitada” mais acentuada de humanismo além de ensinar-lhe a cultuar a beleza.

O Lince: Quando é que um leigo reconhece uma pintura de Getúlio Araújo?

Getúlio: Não cheguei a este ponto!

O Lince: O que representa a Arte em sua vida?

Getúlio: A arte me fascina! A vejo como uma expressão inspirada por Deus. Gosto de arte, de artistas e de quem é admirador.
 
 
Ótica Macedo ACIA
 
 
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