Nº 55 | janeiro / fevereiro 2014
Drops

Presidente Francisco de Paula Rodrigues Alves | Da Redação

De repente […] o governo liberal, que era emancipador moderado, tornou-se abolicionista exaltado […]. Os governos imprudentes […] quando saem das normas da legalidade e apelam para o tumulto das praças, criam situações imprevistas e fazem as questões tomarem direções de que não se podia cogitar […]. A propaganda das ruas assusta, irrita, mas a do poder levou o susto às classes agrícolas […] [O poder] quis reconciliar-se com a revolução, para pedir ao ruído da agitação das ruas a solução do problema que só deveria procurar pelos meios legais.

Eu mesmo fui envolvido no movimento e dominado pela propaganda, concorrendo com meu voto, na Câmara dos Deputados, para que fosse aprovada a lei que aboliu o elemento servil.

Ao passo que um número relativamente pequeno, a burguesia tem o supérfluo, o operário sente a falta do necessário, estando, por assim dizer, acampado no seio da sociedade moderna.

Se tenho no espírito todas as tendências para a harmonia e para o congraçamento, não me arreceio das lutas quando sou a elas impelido, pela conduta de companheiros injustos e imprudentes.

As condições de salubridade da capital além de urgentes melhoramentos materiais reclamados, dependem de um bom serviço de abastecimento de águas, de um sistema regular de esgotos, da drenagem do solo, da limpeza pública e do asseio domiciliar.

O meu programa de governo vai ser muito simples. Vou limitar-me quase exclusivamente a duas coisas: o saneamento e o melhoramento do porto do Rio de Janeiro.

Que grandes farsistas e tratantes!

É uma balbúrdia esta política. Sente-se que há o propósito de desbancar o Pinheiro, mas todos têm medo de demonstrarem a descoberto e se limitam a fazer esse jogo de atitudes e combinações.

[…] tenho como certo de que o maior mal de que está sofrendo o regime republicano provém do pouco respeito tributado à verdade eleitoral e dos excessos e irregularidades praticados pelos poderes verificadores.

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[…] quanto mais vou envelhecendo na vida púbica, mais me convenço de que, nesta ordem de ideias, os governos terão cumprido o seu dever com o máximo proveito, se se limitarem a assegurar a cada um o seu direito de voto, se não consentirem que esse direito possa ser anulado por qualquer forma.

Há muitos dias que não escrevo. Ando preguiçoso: não sei se é o frio de São Paulo ou a velhice que anda me deixando assim. Espero que isso passará.

Raramente me tenho visto em situação tão difícil. Repetindo frase que já disse aos companheiros, creio que sairei cardíaco desta prova. A indecisão umas vezes, o receio outras vezes, de deliberações importantes, são o característico do feitio mineiro.

[…] nunca regateei os meus serviços ao país e desejo perseverar nesse propósito, mas sinto que me vai faltando a confiança nas forças do organismo, e, na minha idade, todas as probabilidades são para o declínio.
 
 
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