Nº 60 | novembro / dezembro 2014
História

O Arquivo e Museu Frei Galvão precisa de você | Da Redação

A vida de luta do casal Maia pelas causas culturais e ambientais do Vale do Paraíba é evocativa.

Faz lembrar um poema de Bertold Brecht, em especial daquelas pessoas que, a despeito dos obstáculos, tornam-se imprescindíveis por lutarem ao longo de toda uma vida.

Thereza e Tom personificam este tipo insubstituível de pessoa. O engajamento de ambos ultrapassa meio século de efetivo trabalho e inumeráveis são suas contribuições para a região.

Uma das mais significativas, sem risco de equívoco, é a idealização, formação e manutenção do Arquivo Memória de Guaratinguetá e Museu Frei Galvão. Desde 1972, estes ardorosos defensores do patrimônio material e imaterial da região vêm sistematicamente coletando, organizando, produzindo e publicando informações e estudos sobre o Vale do Paraíba. A tal ponto de transformar o material reunido em um dos mais ricos acervos de livros, documentos, fotografias, partituras, estatuária católica e folclore do Vale do Paraíba.

Recentemente, à guisa de exemplo, uma equipe de artistas especialistas enviada pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo certificou que o acervo de imagens de santos existentes no Museu Frei Galvão é suficiente para a criação de um Museu de Arte Sacra na cidade e de grande importância para a região e para o estado.

Transformados em um verdadeiro centro de profusão de saberes, o Arquivo Memória de Guaratinguetá e o Museu Frei Galvão tornaram-se - passados mais de 40 anos de ininterrupta atividade -, referências para aqueles que buscam fontes confiáveis de informação. De crianças que desejam fazer seus trabalhos escolares a pesquisadores iniciantes ou experientes, não há quem dele não se socorra quando o objeto de estudo é Guaratinguetá e região.

Muitas monografias, dissertações, teses, artigos e livros só foram escritos, em parte ou totalmente, graças ao inestimável acervo particular mantido pelo sempre agradável e solícito casal.

Aliás, é esta a mais admirável e encantadora característica da história deste arquivo/museu: a de ser mantido, desde o seu início, com recursos privados, ora permitidos pela locação de parte do imóvel - herança de família - construído por João Baptista Rangel de Camargo, ora, e não poucas vezes, com recursos pessoais.

Deste modo, o aluguel de parte do prédio que abriga o arquivo/museu tornou-se o sustentáculo que permite mantê-lo em funcionamento.

O espaço, que ao longo dos anos, foi usado para diferentes finalidades: de faculdade a centro de compensação bancária, nos últimos anos passou a ser alugado para a administração municipal para abrigar setores da gestão pública.

Recentemente, porém, gestores municipais decidiram realocar os serviços que eram ali prestados sob o argumento de um procedimento administrativo geral.

Tal decisão atingiu diretamente a principal fonte de recursos para a manutenção do único arquivo/museu da cidade. Há que se lembrar que, contrariando uma legislação federal de mais de vinte anos, a Prefeitura de Guaratinguetá não mantém um arquivo público sequer. Em outras gestões, entretanto, tal ilegitimidade era parcialmente compensada com o aluguel do prédio em pauta.

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Tamanho rompante do poder executivo local evidencia insensibilidade às questões culturais e educacionais tão fundamentais para a formação de um cidadão melhor preparado, inclusive para votar. Demonstra também indiferença a um trabalho dedicado de pessoas que dispensaram precioso tempo de suas vidas para fazer, com recursos privados, aquilo que, por disposição constitucional, compete às autoridades públicas realizar.

Hoje, o Arquivo/Museu, em busca de alternativas para a sua manutenção, relança a campanha "amigos do museu" como uma tentativa, entre outras, de manter-se em atividade.

Resilientes como nunca, Thereza e Tom continuam bravamente a lutar pela emancipação das consciências através daquilo que de melhor o homem valeparaibano foi capaz de produzir no decorrer do tempo. Por isso, que com almas limpas, continuam semeando sabedoria e bondade por onde passam. São os imprescindíveis a quem se refere Brecht.

O mesmo destino, entretanto, a história não assegura àqueles que, "novos Pilatos", enodoam-se por inteiro para apresentarem-se com as mãos limpas.

Os que lutam


Bertold Brecht

Há aqueles que lutam um dia,
e por isso são bons;
Há aqueles que lutam muitos dias,
e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos,
e são melhores ainda;
Porém, há aqueles que lutam toda a vida,
esses são os imprescindíveis

Horário de funcionamento: Segunda a sexta-feira Das 13 às 17h. Praça Conselheiro Rodrigues Alves, 48 20 andar Centro - Guaratinguetá-SP Entrada gratuita

 
 
 
 
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