Nº 60 | novembro / dezembro 2014
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João Baptista Rangel de Camargo | Da Redação

Tudo pelo aperfeiçoamento dos nossos costumes políticos, pela Honestidade, pela Paz, pela Justiça e pe-lo maior engrandecimento local. (Carta ao Eleitorado de Guaratinguetá, 10-03-1936)

Felizmente para todos, o nosso paiz vê-se agora integrado num regimen verdadeiramente democratico, consentaneo com as nossas tradições, ao qual devemos, por isso, prestigiar, esforçando-nos pela sua perfeita reali-zação prática. Tal depende do bom exercício que os cidadãos fazem do seu voto. Acima de um mesquinho interesse pessoal deve pairar a preocupação do bem geral. É indigno de votar quem transforma o voto em mercadoria commercial, como indigno do título de cidadão quem mercadeja com o voto dos outros. Contra essa immoralidade que vicia o regimen, é necessario um energico combate. (Carta ao Eleitorado de Guaratinguetá, 10-03-1936)

... acho que uma sociedade política só estará à altura do nosso tempo e terá paz, ordem e progresso, onde houver respeito mútuo pelos direitos em litígio, o que se não dará onde a autoridade de alicerçar na fraude, na chantage e na corrupção. (Carta ao Eleitorado de Guaratinguetá, 10-03-1936).

... devemos sacrificar alguma coisa da nossa tranquilidade em pról do meio em que vivemos e do bem estar geral. (Carta ao Eleitorado de Guaratinguetá, 10-03-1936).

O povo que sabe que o seu dinheiro de impostos é bem empregado, não o regateará, quando solicitado. (Carta ao Eleitorado de Guaratinguetá, 10-03-1936)

Recebi da política, num momento de luta e dispersão de forças, o encargo de pôr-me à frente de uma situação também de luta. Foi o meu baptismo de fogo. Voltava à minha terra, a que tudo me prendia - nome, família, tradição e interesses - qual um pequeno David a enfrentar um gigante Golias. E vós vos lembrais que então, em derredor, ninguém podia alterar a voz, perturbando com um pensamento siquer o ambiente irrespirável de um feudalismo pesado e absorvente, que amoldava, para seu uso e abuso, creaturas doceis e passivas, cegas por um fanatismo convencional ou verdadeiro, que se incumbiam de estender os tentáculos do polvo sobre toda a nossa vida e nossa gente, em todas as latitudes e em todos os sentidos.
Para se chegar a este estado de coisas - que deixou a nossa terra atrazada de quarenta annos na sua mentalidade e civilisação política - os olhos do povo não deviam ver, os ouvidos não deviam ouvir, sua boca não devia se abrir senão para o amém dos coroinhas, e sua cabeça não podia pensar. (Discurso proferido no Centro Social de Guaratinguetá, em 29-08-1936)

Havemos de combater, se necessario, a mentalidade antiga, em todas as suas modalidades e tregeitos [...]; como quer que se nos apresente, havemos de enfrental-a para corrigil-a, porque assim o exige a melhoria dos nossos costumes políticos. (Discurso proferido no Centro Social de Guaratinguetá, em 29-08-1936)

Que poder vinha sufocando por tantos anos o direito de emancipação de Aparecida? Como enfrentá-lo? Foi preciso que um filho de Guaratinguetá ascendesse à Câmara dos Deputados e empunhasse a bandeira dos aparecidenses, num gesto de justiça, destemeroso e decidido, afrontando agravos, dificuldades, incompreensões numa árdua luta, para se conseguir, afinal, a vitória de uma causa justa, que viria trazer a liberdade e o progresso de Aparecida, hoje a Capital Religiosa do Brasil. (Do discurso proferido em 12-12-1978, no Museu da Torre da Nova Basílica)

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A geração contemporânea não pode aquilatar o que era a vida política desse tempo em que as garantias de pensamento faltavam e a opressão sobrava. (Do discurso proferido, em 1961, aos membros da Associação Agropecuária de Guaratinguetá-SP)

O afastamento do povo dos comícios políticos, arena onde devem ser debatidos os seus interesses, de par com insidiosa e mercenária propaganda do ditador, trouxe para o país graves consequências, quer de ordem moral, quer de ordem econômica. O caráter dos homens se quebrantou e muitos daqueles que deviam reagir contra as misérias da situação, acovardavam-se facilmente, em troca de vantagens que viessem satisfazer o insatisfeito e corrompido apetite. (Discurso ao Major Brigadeiro Eduardo Gomes, Taubaté, 1945)

Atacando os políticos, cujos atos desfigurava para tornar-se mellhor aos olhos do povo, o ditador apenas usava uma das muitas máscaras do arsenal de que se serviu para ludibriar e mistificar todas as classes sociais do país, principalmente a classe operária, que, pela intensa labuta em que vive, e sem grandes meios de caracterizar o embuste, nele chegou a acreditar. (Sobre Getúlio Vargas em discurso ao Major Brigadeiro Eduardo Gomes, Taubaté, 1945)

Descentralizem-se as administrações municipais, garanta-se a autonomia dos municípios, torne-se temporário o poder dos prefeitos que se eternizam nos cargos, oram como meros empregados, ora como truculentos e incultos mandões políticos, impedindo as reeleições; garanta-se a liberdade real do cidadão na escolha dos seus dirigentes e na sua substituição, quando necessaria, e ter-se-á fornecido ao país um miraculoso instrumento de grandesa, progresso e civilização, pois que o município, sendo a célula mater da democracia, é, no dizer de João Barbalho, "uma miniatura da Pátria". (Discurso ao Major Brigadeiro Eduardo Gomes, Taubaté, 1945)

Acabe-se, de vez, com a injustiça que faz dos municípios um simples arrecadador do dinheiro dos seus habitantes, para uso e goso de outras zonas do país. Garanta-se ao cidadão que paga impostos a satisfação de ver aplicado o produto de seu suor nas coisas que o cercam e que podem torna-lo feliz. Nesse dia, os candidatos a governador não farão as suas jornadas políticas de propaganda, prometendo distribuição de dinheiro para o interior, em géstos de falsa generosidade, que tem mais de corrupção que de amor à causa pública. (Discurso ao Major Brigadeiro Eduardo Gomes, Taubaté, 1945)
 
 
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