Nº 58 | julho / agosto 2014
Grafias

Candeeiro esquecido | Lúcio Mauro Dias

Tinha sangue de barata.
Típico mosca morta.
Acabou sendo o bode expiatório da situação.

***


Naquele mundo cão,
ninguém conseguia o enganar.
Cobra criada,
era um gato escaldado no assunto.

***


Falava feito um papagaio.
Mal sabia ele que tinha boi na linha.
Peixe morre pela boca...

***


Fez uma fezinha no jogo.
Achou que ia acertar na mosca!
Deu zebra.
Não foi desta vez que ficou com o burro na sombra.

***


Quis cutucar a onça com vara curta,
mexendo em casa de marimbondo.
Deu um bode danado...

***


Ficou pensando na morte da bezerra
sem saber que quem morre na véspera é peru.
De tanto pensar morreu um burro.

***


Achou que ia lavar a égua.
Ledo engano.
Teve que tirar o cavalo da chuva...

***


Quis colocar o carro na frente do boi,
pensando que galinha velha
era que dava bom caldo.
Mal sabia ele onde estava amarrando seu burro.

***


E disse lampião cabra da peste:
- Se cada macaco
não ficar no seu galho,
a cobra vai fumar...

***


Vive com a pulga atrás da orelha,
procurando chifre em cabeça de cavalo,
antes que ela venha a soltar a franga
e a vaca vá pro brejo.

***


Enganava a todos direitinho.
Lobo em pele de cordeiro,
era mestre em chorar lágrimas de crocodilo.

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Levou uma cama de gato
e saiu do jogo
feito uma mula manca...

***


Jamais entrou em briga de cachorro grande
porque tinha consciência de que
não aguentava um gato pelo rabo.

***


Barata tonta,
acabou pagando o pato.
Nada disse.
Pareceu que o gato tinha comido sua língua.

***


Até provar que focinho de porco
não é tomada, já tinham levantado a
Capivara dele.

***


Ela feito uma vaca de presépio.
Ele com cara de boi sonso.
Não adiantava mais enfeitar o pavão.
O namoro chegou ao fim...

Lúcio Mauro Dias é autor dos livros Minúcias poéticas (Multifoco) e Os guardiões da Santa (Penalux).

 
 
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