Nº 58 | julho / agosto 2014
Drops

Ministro José Pires do Rio | Da Redação

Estudando a nossa terra, com espírito de verdade, compreenderemos a nossa gente para poder estimá-la com sinceridade, firmando assim o nosso patriotismo.

As duas guerras mundiais do século XX foram verdadeiros balanços das forças internacionais e ambos revelaram a superioridade de algumas nações, meia dúzia apenas, sobre todas as outras, que são várias dúzias.

Querem os poetas, embalados pela fantasia, que a terra natal seja a mais bela, a mais rica e a mais poderosa das nações.

Onde a razão positiva de ser o mundo internacional conduzido por essa meia dúzia de nações, na vanguarda de todas as outras, que são várias dúzias? Já o indicamos: predominam as nações ricas de carvão de pedra, deixando caudatárias todas as outras.

Não se modifica a produção de uma terra com a simples mudança da forma de governo.

Na região tropical do globo, nenhum país fez mais que o Brasil, cujos cafesais, na economia mundial, atestam a capacidade de um povo que sabe aproveitar o território que habita.

As condições naturais marcam indelevelmente a diferença entre um país de clima frio exportador de combustível e um país tropical importador de carvão e de petróleo.
Eis a diferença entre os Estados Unidos e o Brasil.

Fujamos à injustiça de proclamar que, no Brasil tudo é grande menos o homem. Essa consciência nos amortece o patriotismo, que é sentimento de admiração pelos nossos antepassados e solidariedade com os nossos compatriotas...

Uma nação moderna é cada vez mais uma sociedade de trabalhadores, de todas as formas e gradações, de tal arte que governar é dirigir trabalho e governa melhor quem melhor ensina a trabalhar.

A esta hora de nossa cultura, ninguém ignora que a riqueza na surge no país senão quando o fruto das colheitas e o produto das fábricas podem circular, levando-nos a crer que a riqueza de um povo é rigorosamente medida pela intensidade circulatória das suas mercadorias.

Convencemo-nos de que o traço das estradas de ferro e os das estradas de rodagem, no mapa de um país, constitui o melhor índice do progresso econômico das suas diversas regiões e que as nações contemporâneas se podem comparar, na sua riqueza, pela densidade da sua rede de comunicações...

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A Monarquia de Pedro II construiu caminhos de ferro (1/3 do que existe) cujos efeitos econômicos a República de 15 de novembro colheu e mal interpretou...
Houve a ilusão de que a mudança de regimen fazia o progresso.

Produzir mais e distribuir melhor, eis ao que se reduz a atividade social do homem civilizado.

[...] poucas regiões do globo se poderiam isolar do convívio internacional, sem a ruína de suas indústrias.

Fala-se muito em moeda internacional e muita gente espera, depois da guerra, em tempo em que todas as nações, grandes ou pequenas, ricas ou pobres, bem ou mal governadas, tenham o seu banco central acreditado junto ao futuro banco internacional, regulador das operações do comércio exterior.
Em teoria, tudo muito simples; na prática, porém, muito difícil.

O Estado Novo deu mais atenção aos que desejam a inflação e fechou ouvidos aos ue sofrem o flagelo do encarecimento da vida.

Do livro: Realidades econômicas do Brasil, Rio de Janeiro: José Olympio,1945.

 
 
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