Nº 56 | março / abril 2014
Memória

Museu de Antropologia do Vale do Paraíba - MAV (Jacareí-SP) | Alberto Capucci

Jacareí sedia um equipamento cultural importante, que tem a missão de estimular o debate sobre a cultura regional no Vale do Paraíba. Seu trabalho extrapola os limites do município e deve pesquisar, expor e discutir a história e a formação da identidade (ou identidades) da população vale paraibana.

O museu está instalado no Solar Gomes Leitão, inaugurado em 1857 para ser a “casa da cidade”, onde o cafeicultor João da Costa Gomes Leitão, um dos homens mais ricos da região, realizava seus negócios. Com sua morte, em 26 de abril de 1879, a família decidiu mudar-se para Sorocaba. Em 1895, o Solar foi vendido à Fazenda do Estado de São Paulo.

Ali foi instalada uma escola estadual, que funcionou até 08/12/1980, quando o prédio foi entregue à Prefeitura Municipal para sediar o Museu de Antropologia do Vale do Paraíba, por iniciativa do então prefeito, Benedicto Sérgio Lencioni. Após doze anos em obras de restauro, o MAV finalmente foi aberto ao público, em 24/09/1992.

O acervo do MAV conta com pouco menos de oitocentas peças, sendo a grande maioria de arte religiosa. São mais de quinhentas esculturas, com destaque para a rica coleção de “Paulistinhas”, com 193 peças – apenas o Museu de Arte Sacra de São Paulo possui quantidade maior. Completando a lista, há “Paulistões”, variadas imagens do Divino Espírito Santo, crucifixos, oratórios e estandartes.

A coleção de prataria religiosa é composta de turíbulos, coroas, cálices, âmbulas, patenas, resplendores, lâmpadas votivas, cetro, naveta, caldeirinha, sineta e relicário.

Entre as artes plásticas, a principal atração é uma pintura de Almeida Júnior, de 1888, retratando o Barão de Santa Branca. Ressaltamos, ainda, a coleção de arte naif, com obras de pintores de várias cidades do Vale do Paraíba, e diversos presépios: cerâmica, crochê, palha, metal etc.

Existem, ainda, peças de mobiliário, como mesas, cadeiras, poltronas, armários, canapés e móveis do antigo Grupo Escolar Coronel Carlos Porto.

Por se tratar de um museu de Antropologia, boa parte das exposições não utiliza o acervo do MAV para cumprir sua missão. Usando a linguagem das Instalações, um conjunto de três mostras provocou reflexões sobre as origens de nossa identidade cultural regional.

O projeto “Construção da identidade regional no Vale do Paraíba” tem o propósito de estimular a produção de conhecimento sobre como nos tornamos o que somos hoje. Em sua primeira fase, as exposições abordaram as três matrizes étnicas formadoras da nossa população. A primeira foi “Nhenhenhém – indígenas do Vale”, seguida por “Navegar é preciso – somos todos portugueses” e “A cor que a ginga tem – uma nova maneira de ser afro”.

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O sucesso desse projeto, que foi entregue aos artistas Paulo Pacini e Célia Barros, pode ser medido pela contratação dessas exposições pela Secretaria de Estado da Cultura, que as faz itinerar por outras cidades do Vale e outras regiões do estado.

A programação regular do MAV tem dado ênfase à cultura imaterial, um trabalho que iniciou pelo processo de registro do tradicional Bolinho Caipira de Jacareí como Patrimônio Cultural do Município. A Feira do Bolinho Caipira, criada em 2009 para fortalecer esse encaminhamento, continuou crescendo nos anos seguintes e desde 2012 deixou de ser realizada no pátio externo do museu, que ficou pequeno demais. Teve início, então, a Feira Regional do Bolinho Caipira, com a participação de outros municípios da região, que trazem seus bolinhos típicos e apresentações culturais, num intercâmbio de gastronomia e cultura popular que agrada a todos.

Com a intenção de reconhecer e valorizar a contribuição das colônias de imigrantes ao desenvolvimento de nossa cidade e formação da população jacareiense, demos início ao processo de registro de três delas como Patrimônio Cultural de Jacareí. Os japoneses, por sua forte contribuição no desenvolvimento da agricultura; os árabes – sírios e libaneses –, no comércio e indústria; e os italianos, nos pequenos ofícios, como alfaiate, chapeleiro, sapateiro, construção civil etc.

Um programa de contação de histórias, iniciado em agosto de 2009, faz sucesso até hoje, “Uma Noite no Museu”. Normalmente realizado nas sextas-feiras de lua cheia, trouxe ao MAV contadores de causos de várias cidades do Vale, para deleite dos expectadores. Causos e histórias que estavam caindo no esquecimento voltam a ser contados e passam a animar rodas de amigos e reuniões familiares, atiçando a curiosidade e botando medo.

A programação do museu é eclética, valorizando a Cultura Popular, realizando exposições de arte e históricas, abrindo espaço para concertos de música erudita.

Alberto Capucci é Diretor do Museu de Antropologia do Vale do Paraíba - Jacareí-SP

 
 
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