Nº 56 | março / abril 2014
Artes

O talento de Sebastião Albano | Roberto Mendes

Os quietos são os que mais sabem, dizia minha saudosa avó Lucrécia.

Não sei de onde ela tirava esses ditados, por ser analfabeta, vivendo na roça praticamente por um tempinho da sua vida de sabedoria.

Presenciei a entrada, no recinto de arte (Quintal da Arte, 1975), de uma pessoa com esse perfil que no primeiro momento nos causa boa impressão.

Tive imenso prazer de participar dessa exposição ao lado dele.

Caminhando vagarosamente, uma das mãos em um dos bolsos da calça social, olhar sossegado, querendo dizer algo, como que esperando o momento certo, e com a outra mão segurava algumas obras.

Não se apresentou. Fizera por timidez ou receio? Ainda não sei responder.

Os grandes não precisam fazer esforços, bradar aos céus porque estão ali e a razão de estar. Ele não sabia que eu sabia o seu nome.

Sebastião Albano, um dos melhores pintores cachoeirenses, para quem não sabe, não era “pintor de um quadro só” e suas inspirações estavam a pleno vapor. Inovava seus trabalhos pela sua coragem peculiar dos grandes mestres.

Seu estilo eclético, exímio conhecedor das técnicas das artes plásticas, deixava seus admiradores sem escolhas quando apontavam esse ou aquele trabalho como sendo o melhor. Lápis, giz de cera, nanquim, giz pastel, óleo sobre tela...

O Albano próspero em criatividade, profundo conhecedor das artes plásticas, dominava e ainda o faz com maestria belos trabalhos com todos os materiais.

Uma vez confessou que é autodidata, ou seja, mestre de si mesmo. Seus retratos contém, em semente própria, a importância das suas obras. Só ele poderia explicar seu estilo ou alguma influência de outro mestre da pintura.

Possui traços artísticos marcantes assim como também os valores morais tão prezados pela sua maravilhosa família e suas amizades.

Bom humor, fonte de inspirações para histórias, repasse de otimismo, autêntica felicidade pessoal, paizão, marido amado, carinhoso avô, fotógrafo e colecionador de câmeras fotográficas, professor, conhecido nos EUA, cadeira n0 15 da ACLA (Academia Cachoeirense de Letras e Artes), fã incondicional da natureza (o Pico dos Marins na serra da Mantiqueira que o diga!), conversa de diálogo franco e transparente. A sua luz e sombra que aplica nos quadros é o reflexo do equilíbrio da sua trajetória como um centro da realidade que traduz, em suas criações, a longa evolução como artista exprimindo o que há de melhor em seu talento, como uma pessoa simples, mas com uma faculdade sem fim, de graduadas percepções na arte de ver e viver, tendo muita afeição pelos amigos e pela sua apaixonante arte.

Descrevo assim Sebastião Albano: de alma pura, da mais pura alma de quem sabe projetar seus sentimentos num simples traço, retrato ou paisagem, conhecendo a linguagem. Sua firmeza e seu caráter, unidos, fazem com que Cachoeira Paulista se sinta orgulhosa desse grande artista, mestre das artes plásticas, sem negar o precioso talento que a vida e Deus lhe deram.

Um dia me confessou não se preocupar com “o feio ou bonito” daqueles que olhavam seus trabalhos, mesmo porque, continuava ele.

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eu faço o que gosto, o que me traz inspiração, o que ‘surge’ na hora.
Opiniões contrárias só me divertem, causam-me até certa curiosidade e não vai ser por isso ou por aquilo que vou mudar meu estilo.


Albano conhece profundamente a história da arte. Como disse anteriormente, foi reconhecido nos Estados Unidos da América, quando, na oportunidade em solo norte-americano, conheceu a residência do já falecido ex-presidente, Abraham Lincoln, vindo a retratá-la mais tarde, numa de suas técnicas preferidas que é o bico de pena.

Como se pode ver, a experiência adquirida em outro país é muito importante para a carreira de um artista, pois envolve muitos estudos teóricos e práticos, história, psicologia, e, dependendo do tema que é aplicado na tela ou outro material, também está incluída a parte política.

O que prevalece nas mais variadas formas artísticas é a “arte de ver”, de observar, coletar dados, informações e o máximo de interesse para realizar e chegar próximo do que realmente o artista deseja, e o desejar é um largo passo melhorar na busca do melhor.

Que espetáculo a obra “Minha mãe tocando bandolim” de Albano, transmitindo sentimento e paz, assim como “Cachoeira vista da mão fria”, “Casarão em Pinheiros (Lavrinhas)”, “Casebre à beira da estrada de Pinheiros”, “Helena”, “Senhora”, “Uma cachoeirense dos anos 80”, “Teatro Municipal de Cachoeira Paulista”, e inúmeros retratos à óleo, pastel, nanquim, giz de cera etc.

Embora interessantes, é preciso reconhecer que os primeiros trabalhos de Albano estão distantes de informar, em números, a total e extensa obra do grande artista cachoeirense que foi e ainda é.

Todas as obras ainda não foram reunidas e requerem um estudo crítico, sua biografia detalhada e que rumo tomaram muitas de suas obras e seus respectivos donos.

Que tenhamos uma certeza: a de sempre recordar e resgatar, caso possa catalogar, também as obras desse nosso amigo talentoso e de coração enorme que é Sebastião Albano, orgulhosamente, um dos membros da ACLA (Academia Cachoeirense de Letras e Artes) ocupante da cadeira de número 15.

Roberto Mendes é artista plástico, editor artístico e titular da cadeira no 30 da Academia Cachoeirense de Letras e Artes.

 
 
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