Nº 53 | setembro / outubro 2013
Retrato

Lorena: Pe. Hugo Greco, Estrela que não se Apaga! | Juraci de Faria Condé

Há alguns anos, tive o privilégio de contemplar uma estrela cadente e, confesso, foi um dos acontecimentos mais belos que presenciei. Esse presente só me foi concedido por ter sido agraciada com outro presente, ainda mais sublime: ter sido aluna do Pe. Hugo Greco e, com ele ter aprendido a olhar o céu e a grandeza de Deus.

Hugo Greco nasceu em Lugo, na Itália, no dia “12 de 12 de 1912, às 12 horas” como o menino-anjo de olhos azuis gostava de mencionar ao explicar a perfeição numérica de seu nascimento...

O sacerdote salesiano veio muito jovem para o Brasil e, no Colégio São Manoel, em Lavrinhas, iniciou sua carreira de professor de Línguas Estrangeiras (Grego, Latim, Italiano) e de Ciências (Botânica, Zoologia, Geologia, Astronomia). Brilhante mestre, tudo o que se propunha a aprender e a ensinar, beirava a perfeição!

Sua dedicação à Poesia e à Música não diferia desse mesmo ritmo e tom. Seus poemas eram escritos em português, latim e italiano, e o que neles mais tangenciava o meu espírito era o seu encanto para com a Natureza e Deus. Também recordo que suas aulas de violino eram tomadas à tarde, com um professor particular que, ao seu lado, caminhava calmamente, de uma ponta à outra dos pórticos centenários do Colégio São Joaquim, em Lorena. Assim, todos os dias, ao chegarmos para as aulas, éramos recepcionados pelo som de suas músicas e por seu violino, cada dia mais afinado, cada dia mais obediente ao dedicado aprendiz...

Durante os intervalos, esperavam-nos no pátio Pe. Hugo e o seu telescópio. Apaixonado por Astronomia, ensinava a quem se interessasse, os segredos visíveis do Universo: os planetas, os cometas, as estrelas e suas constelações... E, com essas lições, os segredos invisíveis da grandeza divina, “que tudo criou”!

Confesso que muitas lições de Línguas e de Ciências ficaram esquecidas nas prateleiras da memória do tempo da juventude... Mas o seu andar manso, o seu olhar sereno, o seu sorriso de anjo, eu nunca esqueço. Como não esqueço a maior lição desse grande mestre: o seu amor incondicional aos pobres, aos doentes e aos velhos.

Todos os meses, Pe. Hugo doava integralmente seus honorários de professor aos menos favorecidos que, humildemente, aguardavam na porta de entrada do colégio, o momento de receber de suas mãos abençoadas, uma fração do seu salário. Com a mesma devoção, os doentes da Santa Casa de Misericórdia de Lorena e os velhinhos do Asilo São José aguardavam a sua visita, as suas palavras de carinho e conforto, a absolvição de seus erros, uma parcela de seu estado de graça.

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“Os Pobres do Pe. Hugo”, como tornou-se conhecida sua obra social, muito antes de seu falecimento em 22 de junho de 1990, já se multiplicava e conquistava, cada dia mais, o coração de ex-alunos e de muita gente de boa vontade que, inspiradas no seu exemplo, mantém a sua tarefa assistencial e solidária.

Neste ano, no dia “12 de 12 de 2012, às 12 horas” vamos celebrar o centenário de nascimento do Pe. Hugo Greco!

Que nesse dia, os sinos da Itália e do Brasil possam soar seus repiques de júbilo e de alegria! Há 100 anos, uma estrelinha caiu do céu! E o seu rastro de luz e de amor foi tão intenso que, até hoje, todos que tiveram o privilégio de conviver com o Pe. Hugo guardam profunda gratidão a Deus pelo santo presente.

Há estrelas que nunca se apagam, assim como existem pessoas que nunca morrem... Pe. Hugo Greco é uma dessas estrelas e brilha para sempre na vida daqueles que ele soube acolher, agasalhar e alimentar com a sua luz divina, com a sua santidade terrena e com o seu amor!

Juraci de Faria Condé é Doutora em Educação Matemática e Professora-pesquisadora do Centro de Memória da UNICAMP.

 
 
Valle e Azen Sociedade de Advogados Ótica Macedo
 
 
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