Nº 53 | setembro / outubro 2013
Panopticum

Vale Paraibanos no Dicionário de Escritores Paulistas | Da Redação

Aparecida



José Geraldo de Souza – Nasceu a 8 de dezembro de 1913. Fêz o cursos primário em sua cidade natal e o secundário e superior no Instituto Salesiano de Pedagogia e Filosofia de Lavrinhas. Frequentou depois o Curso Superior de Teologia do Instituto Pio XI e o Conservatório Dramático e Musical de S. Paulo. Professor de direito canônico, de história eclesiástica e de musicologia, no Instituto Teológico Pio XI. Sócio honorário do Centro de Pesquisas Folclóricas “Mário de Andrade”, da Comissão Arquidiocesana de Música Sacra. Padre salesiano de D. Bosco. Tem escrito trabalhos de crítica, estética e musicologia nas revistas “D. Bosco”, “Música Sacra”, “Ecos Marianos”, “Folclore”, “Orfeão Brasileiro” e “Voci bianche” (Turim). Folclorista, crítico, musicista, etc.. Bibliografia: “Apontamentos de música sacra”, 2ª ed., S. Paulo, Livraria Salesiana Editora, 1950, 24 x 16 cm.; “Contribuição ritmo-musical de canto gregoriano para a música popular do Brasil”, folclore, S. Paulo, 1952.

José Pires do Rio – Fêz os seus primeiros estudos no Ginásio São Joaquim, de Lorena, de onde passou para a Faculdade de Direito de S. Paulo, com o fim de estudar no Curso Anexo então mantido pelo tradicional estabelecimento de ensino. Faleceu a 24 de julho de 1950 em Nova Delhi, no decurso de uma viagem à Índia. Contando apenas dezesseis anos de idade, matriculou-se na Escola de Engenharia de Ouro Prêto, recebendo em 1903 o grau de engenheiro civil e de minas e o prêmio de viagem à Europa. Durante os últimos anos do curso, matriculou-se na Escola de Farmácia, por onde também se formou. Iniciou a sua carreira profissional como engenheiro das obras do porto do Rio de Janeiro, tendo sido encarregado de várias missões no exterior, de 1906 a 1910. Exerceu também, por breve tempo, o magistério, no triênio de 1912 a 1914, lecionando Hidráulica na Escola Politécnica da Bahia. Trabalhou nas obras do porto e da barra do Rio Grande do Sul, sendo a seguir indicado para diretor de um dos distritos da Inspetoria de Obras contra as Sêcas. Comissionado pelo Gôverno Federal, estudou, no Rio Grande do Sul, a questão do carvão nacional, fazendo, a respeito, uma exposição, posteriormente publicada em livro, “O combustível na economia nacional”. Em 1918, em inspeção às estradas de ferro da Amazônia, publicou no “Jornal do Comércio”, do Rio de Janeiro, um trabalho a propósito. Nomeado inspetor federal das estradas, teve oportunidade de resolver diversos problemas técnicos. Autor de um relatório sôbre a situação das estradas de ferro no Brasil. Aceitou a pasta da viação e Obras Públicas que lhe oferecia o presidente Epitácio Pessoa, iniciando uma longa carreira política. Deixando, em 1922, o ministério, voltou a São Paulo, onde foi eleito deputado à Assembléia Estadual e depois nomeado prefeito da Capital, cargo que ocupou até o advento da revolução de 1930. Estêve afastado das atividades públicas até que, em 1937, foi convidado pelo ministro da Agricultura, sr. Odilon Braga, para presidir à Comissão do Petróleo. Foi nessa época eleito presidente do Clube de Engenharia de S. Paulo e, posteriormente, transferindo-se para o Rio de Janeiro, entrou para a direção da Companhia Comércio e Navegação e do “Jornal do Brasil”. Caindo a ditadura em outubro de 45, fêz parte do governo provisório como ministro da Fazenda, no desempenho de cujas funções publicou um relatório sobre a situação financeira do Brasil. Era sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico de S. Paulo, em cuja revista colaborou. Economista. “Era uma espécie de monge, meditativo e estudioso. Andava cercado de livros, que povoavam sua imaginação e os seus sonhos. E quando conversava, – êle é que tomava conta do auditório – estava entretanto em conversa consigo mesmo, expondo, em voz alta, para seus próprios ouvidos, as suas sentenças, considerações e pontos de vista. Por isso, era mais administrador do que qualquer outra coisa.” (Cândido Mota Filho). “José Pires do Rio reconhecia a soberania e a tutela do Estado sôbre a sua pessoa. Nasceu homem público, e a fórmula do serviço do Estado lhe vinha do fundo do coração e do pensamento”. (Assis Chateaubriand). Bibliografia: “O combustível na economia nacional”, Rio, 1916, 293 p.; “Assuntos de política econômica”, S. Paulo, 1917; “Ofício”, S. Paulo, 1928; “Realidades econômicas do Brasil”, Rio, Ed. Borsoi, 1945, 395 p.; “As condições atuais do Brasil”, Rio, s.c.p., 1945, 16 p.; “A moeda brasileira e seu perene caráter fiduciário”, Rio, José Olímpio, 1947, 345 p., 24x15 cm.


Areias



Gustavo Julio Pinto Paca – Nasceu a 19 de maio de 1858. Faleceu em Santos a 21 de maio de 1919. Formado, em 1887, pela Faculdade de Direito de S. Paulo. Jornalista vocacional, desde jovens militou na imprensa, tendo sido redator do famoso periódico acadêmico “A Comédia” (1881). Colaborou no “Diário Popular” e na “A Tribuna Italiana” (1894-1895). Redigiu, também, “A Tribuna do Povo” e “A Cidade”, de Santos. Nesta Capital, pertenceu à redação do semanário “A Concórdia”, fundado em 1904. Escrevia e falava nove línguas e ainda estudava o esperanto. Foi delegado de polícia de Leme e Araras, promotor público de Ituverava, prefeito de Santos, onde advogou. Economista. Bibliografia: “Indicações econômicas e financeiras: resgate de papel moeda”, S. Paulo, 1895.

José Ferreira de Melo Nogueira – Nasceu a 26 de setembro de 1885. Faleceu vítima de um desastre de automóvel na estrada de rodagem Rio-S. Paulo. Fêz seus estudos na Escola Americana, no Colégio Ivaí, no Ginásio Paulista e na Faculdade de Direito de Belo Horizonte e na de S. Paulo, onde colou grau de bacharel em ciências jurídicas e sociais. Foi professor de direito comercial, de história e de francês na Academia Prática de Comércio. Foi redator do “S. Paulo”, “Correio de S. Paulo” e “Correio Paulistano”, que veio a secretariar mais tarde. Quando estudante, lançou “O Acadêmico” com Agenor Silveira, Xavier de Almeida Alves, Haroldo Amaral, Pedro Dória, etc.. Colaborou em “Novíssima”, no “Jornal da Manhã” e em numerosos outros jornais e revistas. Residiu na Europa, tendo viajado, também, pela Bolívia e Paraguai. Participou da fundação da Associação Paulista de Imprensa, do Sindicato dos Jornalistas, da Associação dos Profissionais da Imprensa de S. Paulo, cuja presidência ocupou, sendo, até a sua morte, membro do seu conselho superior. Pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico de S. Paulo, à Sociedade de Estudos Genealógicos, etc. Usava com mais frequência, nos últimos tempos de vida jornalística, o pseudônimo de “Athaualpa”. Contista, genealogista, historiador, cronista, crítico teatral, etc. Bibliografia: “A propaganda do Brasil no exterior”, série de artigos publicados na “Tribuna de Santos”, S. Paulo, Tip. “O Progresso”, 1912, 25p., 22x15cm.; “Excursão a Mato Grosso”, S. Paulo, 1915; “Circulez, Messieurs. “Habeas-corpus” requerido a favor da população paulista, vitima dos desmandos da polícia”, S. Paulo, 1918; “Die Deustschen in Brasilien, von Ernesto Niemeyer”, Curitiba, Tip. Paranaense, 1926; “O espelho mágico”, impressões de viagem, S. Paulo, 1927; “O ermitão que se fêz diabo”, S. Paulo, Hélios Editora Ltda., 1928, 179 p.; “Rabiscos genealógicos”, S. Paulo, Emp. Gráf. “Revista dos Tribunais”, 1939, 58 p., 24x10 cm.; “O estrangeiro: problema de naturalização”, S. Paulo, Soc. Impressora Brasileira, 1947, 110 p., 19x13 cm.

Mário Julio da Silva – Nasceu a 18 de setembro de 1907. Fêz os primeiros estudos em sua terra natal. Vindo para S. Paulo, entrou logo para a imprensa. Pertenceu a vários dos principais órgãos da imprensa paulista, colaborou em jornais e revistas de S. Paulo e do Rio, fêz crítica literária, realizou conferências etc. Últimamente, redigiu o “Jornal de S. Paulo” e passou a trabalhar no “Jornal de Notícias”. Biógrafo, conferencista, antologista, cronista, jornalista, etc. Membro da Sociedade Paulista de Escritores e de várias outras sociedades de caráter cultural de S. Paulo, do Rio e de Buenos Aires. Bibliografia: “Antologia dos poetas paulistas”, de parceria com Arsênio Palacios, S. Paulo, 1933.


Bananal



Artur Fernandes Campos da Paz – Nasceu a 12 de setembro de 1854. Faleceu em Niterói a 29 de maio de 1899. Foi, no comêço da vida, caixeiro comercial. Fêz-se aspirante de Marinha, mas não seguiu a carreira naval. Matriculou-se, em 1872, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, formando-se em 1878. Em 1883, conquistou, em concurso, a cadeira de química orgânica e biologia. Tornou-se apóstolo do abolicionismo. Foi auxiliar do dr. Domingos Freire na Inspetoria de Higiene. Pactuou com um plano revolucionário, sendo prêso a 10 de abril de 1892. Finda a pena de destêrro, exerceu a clínica na Fazenda Ouro Branco. Aí se dedicou a ensaios de viticultura. Reintegrado na cadeira de lente substituto, pouco após passou a catedrático (1895). Lecionou ciências naturais e físico-químicas no Externato Aquino e química industrial no Liceu Literário Português. Membro da Sociedade Francesa de Higiene, professor do Curso de Aperfeiçoamento de Pedagogia, sócio correspondente da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, diretor de saúde em Minas Gerais, etc. “Patriota extremamente e amante devotado da democracia” (Miranda Azevedo). Bibliografia: “Química Geral”; “Estudo sôbre a nomenclatura química”, Rio, 1876; “Das preparações opiadas no tratamento das moléstias das crianças”; “Febre perniciosa”; “Conferência sôbre a abolição do elemento servil”; Diário dos desterrados da turma do Cacuí; “Propaganda agrícola”; “Conferência sôbre as uvas de S. Paulo”; “Vinhos fictícios”; “Fabricação de águas minerais”; “Agronomia”; “A marca da fábrica de Fritz Mark”; “Relatório apresentado ao governo de Minas Gerais sôbre a exportação vitícolo de S. Paulo”, Rio, 1898, 151 p.; “Quina e seus sais. Lição inaugural de química orgânica e biologia”; “A falsificação de vinhos”; “A Inspetoria de Higiene”.

Agostinho Vicente de Freitas Ramos – Nasceu na Serra do Doce, a 19 de julho de 1895. Em sua cidade natal, frequentou o grupo escolar. Em 1912, prestou exame de suficiência, matriculando-se na Escola Normal Secundária da Praça. Diplomado em 1915, foi lecionar matemática num ginásio de Franca, onde pouco se demorou. Ingressou no magistério público a 19 de julho de 1916, indo reger a escola do Palmital, em Cachoeira Paulista, onde, mais tarde, foi professor de escola noturna, depois adjunto do grupo escolar e seu diretor. Trabalhos de outra ordem, comissões, etc., têm-no afastado das lides do magistério. A pedido de fazendeiros, organizou e chefiou o movimento de reivindicação da classe produtora do leite do Vale do Paraíba. Em Pindamonhangaba, participou da Comissão que devia codificar o leite e seus produtos, ao lado de Waldemar Rheyt, do Ministério da Agricultura, e Nicolau Atanasof, de São Paulo. Álvaro Guião, então secretário de Educação, foi quem o convidou a participar dessa comissão, da qual resultaram os tipos de leite A, B e C, aprovados pela Secretaria da Educação e Saúde Pública. Escreveu uma monografia sôbre o sentido econômico do leite. Prefeito de Cachoeira Paulista pela quarta vez. Quando estudante em São Paulo, foi conferente de revisor e depois revisor do antigo jornal “O Comércio de São Paulo”. Colabora em numerosos Jornais, tem feito conferências, etc. Historiador, conferencista, etc. Bibliografia: “Recordações de 32 em Cachoeira”, S. Paulo, Emp. Gráf. “Revista dos Tribunais”, 1937, 453 p. 18x13 cm.

Eduardo da Silva Chaves – Nasceu a 9 de novembro de 1863. Faleceu a 15 de janeiro de 1899. Formado, em 1888, pela Faculdade de Direito de S. Paulo. Exerceu o cargo de professor de latim do extinto Curso Anexo. Lecionou também em estabelecimentos particulares de ensino, como, por exemplo, no “Colégio Delamare”. Quando acadêmico, publicou um livro de versos e uma comédia, que foi prefaciada por Olavo Bilac. Advogado. Poeta e comediógrafo. Bibliografia: “A Germânia”, S. Paulo, Tip. J. B. Endrizzi & Cia., 1885; “Fagulhas”, versos, S. Paulo, Tip. Paupério & Cia. 1887; “Calouros”, comédia, prefaciada por Olavo Bilac; “Amor materno”, in “Sonetos brasileiros”, de Laudelino Freire.

Eduardo Rabelo – Nasceu no ano de 1876. Faleceu a 8 de agôsto de 1940. Formado, em 1902, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Em 1905 foi nomeado professor substituto, mediante concurso, da Faculdade de Medicina de S. Paulo. Em 1905, passou a catedrático da clínica dermatológica e sifiligráfica. Foi um dos fundadores da Fundação Gaffré Guinie, do Centro Internacional de Estudos sôbre a Lepra e do Centro Gaffré Guinle. Representou o Brasil em vários congressos científicos, tendo sido, em 1924, delegado brasileiro à Terceira Conferência Internacional da Lepra, levada a efeito em Strasburgo. Fazia parte do Comité Internacional da Lepra, era diretor da Fundação Gaffré Guinle e presidente da Sociedade de Dermatologia e Sifiligrafia. Bibliografia: “Hematologia e ancilostomose”; “Contribuição ao estudo das dermatomicoses”; “Lições de sifiligrafia”; “As origens da leishmaniose tegumentar no Brasil”; “Formas clínicas da leishmaniose tegumentar”; “La lutte anti-vénerien au Brésil”.

Francisco Lopes de Azevedo – Nasceu em 1891. Diplomado pela antiga Escola Complementar de Itapetininga. Fêz tôda a carreira no magistério do Estado, ocupando atualmente o cargo de assistente-técnico do Ensino Primário do Departamento de Educação. Colaborador de jornais e revistas de S. Paulo. Bibliografia: “Escrínio”, versos, S. Paulo, Mayensa, 1922; “Preto Velho”, excepto de romance em preparo, in “O Bom Ginasiano”, de parceria com Máximo de Moura Santos, 1.ª série, Rio-S. Paulo, Alves, 1942, p. 12 e 13; “O Bom Ginasiano”, de parceria com Máximo de Moura Santos, 1.ª série, Rio-S. Paulo, Alves, 1942, 209 p., 19x14 cm.; “O Bom Ginasiano”, de parceria com Máximo de Moura Santos, 2.ª série, Rio-S. Paulo, 1942, 211 p. 19x14 cm.; “O Bom Ginasiano”, 3.ª série, Rio-S. Paulo, Alves, de parceria com Máximo de Moura Santos, Rio-S. Paulo, Alves, 1942, 243 p. 19x14 cm.; “Meu relógio” e “Ponte caída”, in “O Bom Ginasiano”, 1.ª série, 141-142, p. 169 e 170; “Rio Paraíba”, “O Leão enamorado” e “O veado e o boi”, in “O Bom Ginasiano”, 3.ª série, p. 69-71; 130-131; 149-150; “A Palmeira”, in “O Bom Ginasiano”, 3.ª série, p. 64-65.

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João Brás de Oliveira Arruda – Nasceu na “Fazenda Cascata”, a 16 de abril de 1861. Faleceu a 18 de setembro de 1943, nesta capital. Fêz os primeiros estudos no Colégio do “Dr. Miguel Arcanjo”, em Barra Mansa. Freqüentou, depois, o Colégio Abílio. Formado, em 1881, pela Faculdade de Direito de S. Paulo. Exerceu a advocacia nesta capital, onde, desde estudante, trabalhava no escritório do Prof. Joaquim José Vieira e Carvalho. Seguiu, depois, a magistratura, em Jaboticabal (1886) e Campinas (1886-1890). Retornou à advocacia, inscrevendo-se, em 1906, no concurso aberto na Faculdade em virtude da promoção do dr. Reinaldo Porchat a catedrático. Foi aprovado em primeiro lugar, sendo nomeado a 17 de outubro. Tomou posse a 29, recebendo o grau de doutor. Lente catedrático de Filosofia do Direito em 1910. Em 1911, foi designado para reger, como professor ordinário, a cadeira de Introdução Geral ao Ensino de Direito ou Enciclopédia Jurídica. Restaurada, mais tarde, a cadeira de Filosofia do Direito, voltou a lecioná-lo. Jurisconsulto e historiador. Bibliografia: “Ciência social. Estudo jurídico”, Bananal, 1881, 43 p.; “O direito romano e o seu método”, S. Paulo, Tip. Andrade & Melo, 1903; “Preleções de filosofia do direito”, S. Paulo, Tip. Escolas Profissionais Salesianas, s/d; “Resumo das lições de direito criminal”, S. Paulo, Tip. “O Globo”, 1909; “Filosofia de S. Paulo”, 1915; “União Sul-americana”, Rio, Jacinto Ribeiro & Cia. 1924; “Do regime democrático”, S. Paulo, Editora Ltda., 1925; “O Molóch moderno”, S. Paulo, Editora Ltda., 1932; “O regime democrático”, S. Paulo, Editora S. Paulo.

João José Frederico Ludovice – Faleceu em Uberaba, a 3 de junho de 1892. Estudou as primeiras legras no antigo Colégio Marinho, do Rio de Janeiro. Foi, depois, prático de farmácia em sua cidade natal. Formado, em 1874, pela Faculdade de Direito de S. Paulo. Foi várias vêzes deputado pelo Partido Conservador, à Assembléia de Minas Gerais, durante o império. Residiu muito tempo em Uberaba, onde foi advogado, professor da Escola Normal e redator de “A Gazeta”. Redigiu, em 1872, a “Revista Comercial”. Exerceu a advocacia em Franca e várias cidades mineiras. Cronista, dramaturgo, historiador, poeta, jornalista, etc. Bibliografia: “Rabiscas acadêmicas”, crônicas e versos. S. Paulo, s/d; “Os milagres de S. Francisco”, drama representado em Ouro Prêto, 1894.

José Luiz de Almeida Nogueira – Nasceu na fazenda “Loanda”, a 4 de fevereiro de 1851. Faleceu no Rio de Janeiro a 16 de julho de 1914. Depois de ter aprendido as primeiras letras na propriedade agrícola paterna e de ter cursado um colégio de Barra Mansa, seguiu, em companhia de um preceptor, para a Europa, tendo estudado humanidades no Instituto “Prunières” e no Liceu Bonaparte, depois Liceu Condorcet, em Paris. Regressando ao Brasil (1853), prosseguiu nos estudos em Bananal. Matriculou-se, em 1869, na Faculdade de Direito de S. Paulo, onde se doutorou em 1874. Em 1873, foi eleito deputado provincial pelo 2.º distrito, sendo reeleito para o biênio seguinte. Na legislatura de 1876-1879, foi eleito deputado geral. Em sua terra natal, redigiu “O Embrião”. Foi redator-chefe do “Correio Paulistano” quando da proclamação da República. Fêz parte, como deputado, da Constituinte e do Congresso Nacional em várias legislaturas. Senador estadual, de 1898 a 1903. Ingressou na Faculdade de Direito, como professor substituto, a 7 de novembro de 1890. No ano subsequente, nomeado lente catedrático, assumiu, em 24 de fevereiro, a segunda cadeira da terceira série de Ciências Sociais. Em 1896, designou-se-lhe a segunda cadeira de Economia Política, ciência das finanças e contabilidade do Estado. Representou o Brasil no 4.º Congresso Pan-Americano de 1910. Redigiu “O Monitor Paulista”, de 1878 a 1881. Sua obra “A Academia de S. Paulo, tradições e reminiscências”, em 9 volumes, foi primeiro publicada no “Correio Paulistano”. Aí fêz a biografia episódica dos estudantes e dos mestres, acentuando picarescamente os seus traços pessoais. Historiador, biógrafo, crítico, juris-consulto, cronista, parlamentar, etc., “...espírito finamente educado e pronto na concepção e na fatura da escrita, não havia um departamento no jornal (“Correio Paulistano” em que não patenteasse a destreza de sua pena...” (Venceslau de Queiroz). “...é um prosador chistoso, elegante, polemista de forte envergadura” (Artur Goulart). “Didata notável, eminente professor universitário” (Afonso d’E. Taunay”. Bibliografia: “Direito civil. Dissertação sôbre a tese “Na herança ou legado condicional transmite-se a esperança debitium-iri?”, S. Paulo, Tip. “O Constituinte”, 1872, in-8.º; “Ensaios jurídicos e sociais”, S. Paulo, Tip. Americana, 1873, in-8.º; “Estudo sôbre a denominação “Economia Política”, S. Paulo, Tip. Espíndola, Siqueira & Cia.,1905; “Economia Política. Qual é o objetivo da Economia Política?, S. Paulo, 1906; “Economia Política e Ciência das Finanças. Programas de ensino apresentados à Congregação da Faculdade de Direito de S. Paulo nos anos 1891 a 1906”; “Estudo teórico e prático sôbre fiança às custas no direito processual brasileiro”, S. Paulo, 1909, 74 p., in-8.º; “Tratado teórico e prático de marcas industriais e nome comercial”, S. Paulo, Hennies Irmãos, 1910. 2 vols.; “A taxa de câmbio e a economia nacional”, por Mac-Level, trad., S. Paulo, 1910, 68 p., in-8.º; “Empréstimos. Estudo de ciências e finanças”, S. Paulo, 1912; “A Academia de S. Paulo. Tradições e reminiscências. Estudantes. Estudantões. Estudantadas”, Lisboa, Tip. A Editora Ltda., 1907, 1912, 9 vols.; “Marcas industriais e nome comercial. Projeto de reforma da legislação pátria”, S. Paulo, Tip. Siqueira, Nagel & Cia., 1913; “Curso didático de economia política”, S. Paulo, Tip. Siqueira, Nagel & Cia., 1913; “Ligeiros estudos”.

José Pereira da Cunha Filho – Nasceu a 12 de junho de 1891. Faleceu nesta capital a 2 de setembro de 1951. Diplomado pela Escola Normal da Praça. Em 1911, matriculou-se na Faculdade de Direito de S. Paulo, formando-se em 1916. Foi, até 1942, lente de História da Civilização da Escola Normal “Padre Anchieta”, e de Biologia da Escola Normal “São Paulo”. Orador, poeta e jornalista. Publicou, além de colaborações em jornais e revistas, vários compêndios educativos. Bibliografia: “A chegada de Anchieta”, in “O Bom Ginasiano”, por Máximo Moura Santos e Francisco Lopes de Azevedo, Rio, Alves, 1942, 2.ª série, p. 40-42, 19x14 cm.
José Ramos Nogueira – Nasceu a 10 de agôsto de 1884. Faleceu em Valença a 8 de agôsto de 1938. Estudou as primeiras letras em sua terra natal. Mais tarde, cursou a Academia “Viveiros de Castro”, do Rio de Janeiro. Colaborou em diversas revistas e jornais do Interior, do Rio de Janeiro e de S. Paulo, inclusive o “Correio Paulistano” e “O Dia”, de Ribeirão Prêto. Exerceu a advocacia em Bananal e foi tabelião em Rezende. Teatrólogo, poeta, etc. Bibliografia: “Purema”, peça teatral; “Lantejoulas”, versos, com prefácio de Renato Travassos, Rio, Est. Gráf. Canuto & Reile, 1932, 153 p., 19x14 cm.

José Vicente Alvares Rubião – Nasceu a 27 de dezembro de 1887. Fêz o curso de humanidades no Ginásio do Estado, bacharelando-se pela Faculdade de Direito de S. Paulo, em 1912. Logo após a sua formatura, exerceu o cargo de auxiliar do procurador fiscal do Estado, ocupando, mais tarde, as funções de secretário da presidência do govêrno Altino Arantes. Foi, ainda, diretor-superintendente do Banco Noroeste. Deixando êste posto, passou a superintender o Banco do Estado, como um de seus diretores. Além de uma série de conferências, publicou, na imprensa do Rio e de S. Paulo, numerosos trabalhos sôbre economia política e finanças. Estêve vários anos na Europa, cujos principais países visitou demoradamente, fazendo estudos sôbre ciências econômicas e sociais. Nesse tempo, bacharelou-se em Filosofia, na Sorbonne, diplomando-se, também, pelo Colégio de França e pela Escola de Altos Estudos Sociais e Políticos. É membro do Conselho Técnico de Economia e Finanças da Secretária da Fazenda, presidente do Conselho da Caixa Econômica do Estado. Foi presidente do Rotary Clube de São Paulo em 1932, sendo reeleito para o exercício seguinte. Redator-chefe do “Correio Paulistano” e 9.º tabelião de Notas da capital. Bibliografia: “Rodrigues Alves e Rubião Júnior”; “Influência dos fatores econômicos nas relações internacionais.”

Luiz Barbosa da Silva – Nasceu na fazenda “Cascata”, a 30 de outubro de 1840. Faleceu a 26 de junho de 1875. Estudou, primeiramente, no colégio do Castro, em Botafogo (Rio); depois, no Colégio Kopke, de Petrópolis. Matriculou-se, com 15 anos de idade, na Faculdade de Direito de S. Paulo, formando-se em 1860. No mesmo ano de sua formatura, abriu escritório de advocacia na capital da República. Em 1864, entrou com seu irmão Antônio Barbosa da Silva e Souza, para a redação de “Atualidade”, dirigida por Sílvio Farnese. Nesse jornal trabalhou ao lado de Bernardo Guimarães. Foi, por alguns meses, presidente do Rio Grande do Norte (1866-1867). Em 1870, partiu para a América do Norte. De volta ao Brasil, inscreveu-se entre os abolicionistas. Tornou-se o panfletário “Teodoro Parker”, das colunas d “A República”, que ajudou a sustentar. Nos últimos dias de sua vida (1874-1875), exerceu a advocacia em Barra Mansa, isolando-se às vêzes em sua fazenda de Passa Três. Abolicionista, poeta, panfletário. “...tipo de cidade que tudo sacrificou em serviço de suas crenças políticas e sociais” (A. M. Miranda Azevedo). Bibliografia: “Elemento servil”, panfleto, sob o pseudônimo de “Teodoro Parker”; “Osório”, poesia, 1870; “Novo plano de composição tipográfica”, 1872.

Manuel de Magalhães Couto – Nasceu a 23 de agôsto de 1839. Faleceu no Rio de Janeiro a 23 de março de 1900. Formado pela Escola de Direito de Paris. Fêz os primeiros anos do curso na Faculdade de S. Paulo. Em 1863, regressou ao Brasil, fixando residência no Rio de Janeiro, onde se dedicou ao magistério. Foi professor e diretor do Instituto dos Surdos-Mudos. Lecionou francês na Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional. Professor livre do ensino primário, lente substituto de francês do Colégio Pedro II. Catedrático do internato. Bibliografia: “Lições de aritmética organizadas para os alunos do Instituto de Surdos-Mudos”, Rio, 1869, in 12.º; “Dicionário francês gramatical”, inédito.

Manuel Venâncio Campos da Paz – Nasceu a 7 de outubro de 1850. Faleceu no Rio de Janeiro a 26 de junho de 1888. Assentou praça a aspirante da guarda-marinha a 26 de fevereiro de 1867. Nomeado guarda-marinha (1871) fêz a sua viagem de excursão a Montevideu na corveta “Baiana”. Em 1873, já segundo tenente, viajou nas canhoneiras “Araguari” e “Ipiranga”. Assistiu à construção do “Javari” na Europa. Serviu no “Solimões”, no “Sete de Setembro” e no “Lima Barros”. Diplomou-se, em 1879, pela Escola Politécnica do Império. Foi então designado para estudar no Velho Mundo o fabrico e uso de torpedos. Era engenheiro geógrafo pela Escola Politécnica, sócio fundador da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, membro da Society of Telegraph, Engineers and Electricians, de Londres; sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa. Colaborou em “Comércio”, de Pelotas. Bibliografia: “Zulmira”, novela, in “Comércio”, Pelotas; “Guia prático para a montagem e desmontagem de torpedo Whitead”, 1884; “Torpedo Whitead”, 1886.

Nelson da Cunha Azevedo – Nasceu no ano de 1912. Diplomado pela Escola Normal de Guaratinguetá. Professor da cadeira de educação da Escola Normal anexa ao Ginásio Paulistano. Tem colaborado em vários jornais e revistas de S. Paulo e do Rio de Janeiro. Poeta modernista, ensaísta, educacionais, etc. Bibliografia: “Cirandinha”, poesia, in “O Bom Ginasiano”, Rio, Alves, 1942, 26-27, 19x14 cm; “Elementos de psicologia”, de parceria com Alberto Conte, S. Paulo, Ed. Brasil, 1945, 138 p.; “Psicologia educacional”; “O conceito da liberdade na escola nova”, ensaio; “Psicologia da aprendizagem”; “Pesquisas em vocabulário”.

Telésforo de Sousa Lobo – Nasceu a 31 de julho de 1881. Cursou primeiro a Escola Preparatória e de Tática do Realengo, no Rio de Janeiro. Depois, matriculou-se na Faculdade de Direito de S. Paulo, colando grau em 1910. Foi um dos colaboradores de revista paulistana “A Cigarra”, ao tempo de Gelásio Pimenta. Publicista. Bibliografia: “S. Paulo na Federação”, com prefácios de Marcolino Fagundes e Fernando Nobre, S. Paulo, 1924, 278 p.; “O Brasil confederado”, S. Paulo, Tip. Escolas Profissionais Salesianas, 1933.

Do Livro “Dicionário de Autores Paulista”, São Paulo, 1954, de Luis Correia de Melo.

 
 
 
 
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