Nº 49 | janeiro / fevereiro 2013
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Maria de Lourdes Borges Ribeiro, a folclorista | Benedicto Lourenço Barbosa

No ano do centenário de seu nascimento, não poderíamos deixar de prestar justas honras à professora Maria de Lourdes Borges Ribeiro, um dos nomes de maior expressão nos estudos de folclore do Vale do Paraíba, publicando sua síntese biográfica

Maria de Lourdes Borges Ribeiro, nascida em Aparecida-SP, aos 19-09-1912 e aí falecida aos 11-06-1983. Filha de Jayme Ribeiro (1887-1949), nascido em Portugal e falecido em Aparecida-SP, e de Julieta Borges Ribeiro (1890-1940), nascida e falecida em Aparecida-SP. Avós paternos: Daniel de Araujo Ribeiro e Angelina Augusta da Conceição, naturais de Portugal. Avós maternos: Capitão José Ambrósio de Oliveira Borges, Sub-delegado de Polícia em Aparecida-SP e de Maria das Dores do Prado Borges.

Lourdes Borges fez estudos primári-os no Grupo Escolar de Aparecida e tornou-se professora normalista pela Escola Normal de Guaratinguetá-SP.

Exerceu o magistério em diversas escolas e foi Secretária da Delegacia de Ensino de Guaratinguetá-SP.

Foi auxiliar de seu irmão José Bor-ges Ribeiro no Cartório de Registro Civil e Tabelionato de Aparecida-SP.

Nomeada pelo Prefeito Municipal de Aparecida da época, Solon Pereira, foi a 1ª Diretora do Ginásio Municipal N. S. Aparecida, quando contratou professores, elaborou currículo, adaptou prédio, organizando-o e colocando-o em funcionamento.

Foi folclorista, pesquisadora, poeta e escritora com publicações no Brasil e no exterior.

Publicou, entre outros, os livros: “A Dança do Moçambique”, “O Jongo”, “O Baile dos Congos” e “Na Trilha da Independência”.

Foi co-fundadora do Instituto de Es-tudos Valeparaibanos.

Foi homenageada pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro com o título de “Cidadã Benemérita”.

Membro de várias Instituições culturais e científicas, da Comissão Nacional do Folclore e do Museu do Folclore.

Professora Titular de Folclore, aprovada pelo Conselho Federal de Educação, nas Faculdades Teresa D’Ávila – FATEA, Lorena-SP e Faculdade de Música Santa Cecília em Pindamonhangaba-SP.

Ministrou cursos de Folclore em Universidades Brasileiras e Latino-Americanas.

Organizou mostras e exposições do artesanato nacional.

Participou de Simpósios e Congressos Nacionais e Estrangeiros, representando o Brasil em diversos países da América do Sul, Estados Unidos, Portugal, Inglaterra, França e Espanha.

Representou o Brasil em diversas Missões Oficiais junto a Unesco e exer-ceu importantes funções na Funarte.

Teve participação religiosa, na qualidade de Dirigente da Comissão de Festejos, no ano Jubilar de 1967 (250 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida).

Organizou, com seu irmão José Borges, a procissão fluvial pelo Rio Paraíba no encerramento do mês de Maio.

É de sua autoria a poesia quando da instalação dos Sinos da Basílica Nacional de Aparecida, em 1935.

É patrona da biblioteca pública municipal de Aparecida.

Nenhuma homenagem oficial foi feita, em sua terra natal, por ocasião de seus 100 anos de nascimento.

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Ao som do bronze


Maria de Lourdes Borges Ribeiro

No alto da colina sacrossanta,
a igrejinha da Virgem é um poema.
As tôrres altas, esguias, suplicantes,
são duas mãos que a prece ergue, levanta
à Bondade Suprema.

Ao longe, o gigante azul que dorme,
as árvores, o rio, os campos, o horizonte
são doces rimas de amor e de ternura,
rimas sonoras como o cantar das fontes.

De manhã, quando a madrugada
inda é o sonho dourado do nascente,
quando no ninho, a passarada
acorda, e, de repente,
deixa nos ares a nota de alegria,
das duas torres esguias, suplicantes,
parte o hino de fé:
AVE MARIA!...

O coração do sino
está vibrando de amor a cada instante.
E cada badalada é um verso musicado,
uma prece cantante
que êle faz ao Senhor.
Distante, bem longe, na serra, ressôa
o bronze que canta, suplica e abençôa.
A tardinha,
um bando de formosas andorinhas
vêm à tôrre se aninhar.
E eis que, num momento, se quedam silenciosas,
ornamentando a nave, como em jardins as rosas,
Cessam o canto, o pipilar, o bater de asas.
E algo puro, sublime, encantador,
faz passar nos corações um frémito de amor.
É a voz do sino que reza a última prece,
a derradeira prece do dia que se vai...

E distante, na serra, ressôa a harmonia
do bronze que canta e suplica: AVE MARIA!

Ecos Marianos, 1951. p. 41

Benedicto Lourenço Barbosa é Mestre em Ciência e autor do livro Nossas Origens - 300 anos de história de Aparecida-SP.

 
 
 
 
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