Nº 49 | janeiro / fevereiro 2013
Meio Ambiente

Vale de Titãs: Aroldo de Azevedo e Aziz Ab’Saber | Alexandre Marcos Lourenço Barbosa

A geografia brasileira muito deve a dois grandes geógrafos valeparaibanos: um de Lorena, a terra das Palmeiras Imperiais, e outro da Imperial Cidade de São Luiz do Paraitinga.

Os geógrafos Aroldo de Azevedo e Aziz Ab’Saber tem algo mais em comum além de ambos também terem sido, cada um em sua época, professores eméritos da Universidade de São Paulo: são caudalosos tributários da geomorfologia brasileira e responsáveis, cada um, por classificações do relevo brasileiro que, durante décadas, orientaram o ensino e o aprendizado da Geografia no Brasil. Titãs do Vale do Paraíba, suas estimáveis contribuições à pesquisa do quadro natural brasileiro e à educação básica e superior desconhecem limites temporais e merecem reconhecimento perene, razão pela qual apresentamos um breve quadro de seus mais notáveis legados.

Aroldo de Azevedo (1910-1974)



As origens

Foi na cidade de Lorena-SP, no dia 03 de março de 1910, que Aroldo Edgard de Azevedo veio ao mundo. Nasceu na Fazenda Conceição, propriedade de seus pais Arnolfo de Azevedo (1868-1931) e Dulce Lina da Gama Cochrane, onde passou parte de sua infância e juventude.

Em entrevista gravada em 1973 para o programa Perfil de Educador da TV2-Cultura – pouco antes de seu falecimento, em 04 de outubro de 1974 – Aroldo de Azevedo assim se refere à sua infância e adolescência:

“Os primeiros anos de minha vida se dividiram entre o Vale do Paraíba e a Capital Federal. Isto porque meu pai, Arnolfo de Azevedo, havia sido eleito Deputado Federal pelo Estado de São Paulo, em 1903. Exerceu mandatos consecutivos até dezembro de 1926, quando se tornou Senador. Eleito Presidente da Comissão de Finanças do Senado Federal, ocupou este cargo até a vitória da revolução, em outubro de 1930, retirando-se, nessa época, da vida pública.”


A formação

Ao pai, por quem sempre nutriu visível respeito e admiração, atribui os mais nobres traços de caráter, apanágios que, sem dúvida, foram modelares na educação dos filhos e na condução das mais próximas relações familiares, políticas e de amizades.

“Meu pai foi um homem que conseguiu se impor, não pela oratória espalhafatosa, mas pela serenidade e lisura de atitudes, pela honestidade de propósitos, por sua integridade moral que a todos, correligionários ou adversários políticos, conquistava. Jamais se prevaleceu de seu prestígio para usufruir proveitos pessoais ou para atribuir a qualquer um dos filhos nomeações para empregos públicos. Saiu pobre da política e é no momento em que ele dela se afasta que eu iria ao mesmo Colégio Lafayette, onde tinha sido estudante, recorrer ao Diretor para dar aulas no curso pré-jurídico.”

Durante o período que freqüentou o bacharelado na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, nos últimos anos da década de 1920, Aroldo de Azevedo, segundo ele próprio, teve o privilégio de partilhar da vida acadêmica com pessoas que representariam, como ele, nomes de expressão da vida intelectual brasileira.

Uma das recordações mais gratas dessa época é o fato de ter pertencido ao Centro Acadêmico Jurídico Utilitário, o CAJU, como era conhecido. Promovia reuniões e estudos de um grupo de acadêmicos entre os quais se incluíam Gilson Amado, Américo Jacobina Lacombe, Plínio Doyle, Otávio de Faria, Santiago Dantas, Hélio Viana, Vicente Chermont de Miranda, Antonio Carole, Clovis Paulo da Rocha. Sua história mereceria ser contada.

Laureado bacharel, jamais atuou na área. O magistério era seu pendor. E isso se deu ainda durante o curso de Direito, quando, mal acabara de completar 18 anos e passando férias em sua cidade natal, foi convidado por uma tia a lecionar Geografia para um grupo de 110 meninas, em uma Escola Normal, por ela fundada.

Sua formação acadêmica na área apenas se daria década mais tarde, quando ingressou no curso de Geografia/História da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, decisão que definitivamente contribuiria para que se tornasse um dos maiores nomes ligados ao ensino da geografia no país.

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Só em fins da década de 30, já residindo em São Paulo, casado e com dois filhos, foi que ingressei na recém-criada Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, onde depois de formado, passei a fazer parte do corpo docente como primeiro professor da cadeira de Geografia do Brasil. E nessa época eu já havia publicado o meu primeiro livro didático.


O pesquisador

Por mais de trinta anos, Aroldo de Azevedo percorreu quase todas as regiões do Brasil (só não esteve na região norte do país) fazendo pesquisas de campo e publicando seus resultados em revistas científicas especializadas.

Como membro da AGB (Associação dos Geógrafos Brasileiros), desde 1935, foi um dos responsáveis por fazer de Lorena-SP a cidade-sede do I Encontro Nacional da entidade, em 1946. Três encontros depois, em Cuiabá (Rio de Janeiro e Goiânia o antecederam), Aroldo de Azevedo seria eleito presidente da mesma Associação. Os anais do encontro de Lorena seriam publicados apenas em 1949.

Especializando-se em estudos de Geografia Urbana, deixou contribuições históricas para o entendimento da organização e evolução de importantes regiões paulistas, em especial dois estudos por ele coordenados: um sobre a baixada santista e outro so-bre a cidade de São Paulo. Ambos escritos em quatro volumes, A Cidade de São Paulo, publicado em 1956, pela Companhia Editora Nacional, foi iniciado quatro anos antes para ser uma contribuição dos geógrafos da Universidade de São Paulo ao quarto centenário do mais importante centro econômico do país, e Baixada Santista – bases geográficas, lançado em 1965 estampando o selo da Editora da USP, tornou-se, segundo o Prof. Dr. José Bueno Conti, um registro de época da cidade de Santos e arrabaldes durante importante período de seu crescimento dado ao incremento propiciado pela movimentação de derivados do petróleo.

Ainda sobre São Paulo, deixou publicado importante estudo preliminar: Subúrbios orientais de São Paulo (1943)

Outro trabalho de fôlego, também coordenado pelo emérito pesquisador lorenense, e que reuniu geógrafos proeminentes de todo o país foi Brasil: A Terra e o Homem, em dois volumes. O primeiro volume (1968) trata das “bases físicas” do território nacional e o segundo (1972) apresenta a geografia humana do Brasil. Um terceiro volume sobre a economia não chegou a ser concluído.

Alguns estudos biográficos-genealógicos de família também fazem parte de sua extensa produção bibliográfica. Entre 1962 e 1963, a Companhia Editora Nacional publicou três plaquettes contendo a vida pessoal, acadêmica e política de seu pai Arnolfo de Azevedo. Em 1965 era a sua ascendência materna que seria contemplada através do livro Cochranes do Brasil. Justas retribuições da editora.

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Alexandre Marcos Lourenço Barbosa é pós-graduado em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo.

 
 
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