Nº 54 | novembro / dezembro 2013
Retrato

Josias de Marins Freire: Político, Poeta e Seresteiro | Juraci de Faria Condé

Josias de Marins Freire (1923 – 2006), mais conhecido pelo apelido de infância “Dêgo” é o terceiro dos nove filhos da professora e pianista Alayde Sylvia Freire e do pecuarista José de Marins Freire. A arte da política herdou do pai que foi prefeito de São José do Barreiro em 1936, nomeado por Getúlio Vargas. Da mãe herdou o carisma musical e também a bela voz.

Na história de sua terra natal, Josias de Marins Freire detém a mais alta expressão política: elegeu-se prefeito em 1948, aos 24 anos, atuando à frente do Executivo até 1952. Foi reeleito prefeito em outros três mandatos: de 1960 a 1963; de 1969 a 1973 e de 1976 a 1980 e, posteriormente, ocupou uma das cadeiras do Legislativo como vereador.

Em todos esses mandatos, manteve laços políticos com deputados e governadores paulistas que não negaram apoio financeiro aos seus projetos: o calçamento da cidade, a abertura de ruas e estradas rurais, a edificação de escolas, a construção da Agência dos Correios, da Pracinha da Seresta, da Sociedade Recreativa Cultural Barreirense, da Escola de Música, da Sede da Corporação Musical Lyra Barreirense e da Estação de Energia Elétrica. Duplicou o abastecimento de água do município e, sobretudo, apostou no turismo como uma nova possibilidade de desenvolvimento socioeconômico. Construiu a Rampa de Voadores, atraindo para a Serra da Bocaina, adeptos do voo livre; esporte de aventura que propagou o turismo em São José do Barreiro e no Vale Histórico.

Há de se reconhecer que o maior legado de Josias de Marins Freire à sua terra, ao Vale do Paraíba e ao nosso país permanece incólume: sua obra poética e musical.

Poeta de expressão literária virtuosa, registrou em seus cadernos de memórias, centenas de versos que contam a sua história e a história de São José do Barreiro! Compositor e letrista, as músicas do “Dego” continuam a soar nas rodas de viola de seus conterrâneos. Da mesma forma, as poesias josianas são lidas e declamadas nas escolas e nas praças que ele construiu e, assim como suas músicas, revelam a alma desse poeta-seresteiro de voz suave e de olhos azuis que, ao reparar a longa estrada de seus 83 anos, explicita: “de todos os títulos que eu recebi, o que eu mais gosto é o de seresteiro.”

Em homenagem à sua arte, elegemos “Meu Violão” para enaltecer a história e a memória de um político que soube cunhar a história literária e musical de São José do Barreiro-SP com perfeita maestria: Josias de Marins Freire! Nosso “Dêgo”!!!

MEU VIOLÃO



Eu imagino meu violão que um dia
Foste o senhor da floresta
Que em teus braços longos, estendidos
O sabiá mandava a seresta.

A lua ao nascer lá no horizonte
Fazia um braço dela te alcançar
E festejando a luz na tua fronte
Vinha a lua grande rei condecorar.

Mas como tudo está sujeito a tempestade
Um machado cruel levou-te ao chão
Não perdeste nem por isso a majestade
Foste rei árvore, hoje és rei da canção.

Nada se acaba, apenas passa por transformação.
O teu destino continua o rotineiro
A lua ainda vem banhar-te em plena solidão
E o sabiá antigo, hoje é o seresteiro.

Juraci de Faria Condé é Doutora em Educação Matemática e Professora-pesquisadora do Centro de Memória da UNICAMP.

 
 
 
 
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