Nº 54 | novembro / dezembro 2013
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Ruth Guimarães: Guarda-Chaves da Cultura Vale Paraibana | Juraci de Faria Condé

Ruth Guimarães nasceu em Cachoeira Paulista, no dia 13 de junho de 1920, no sítio de seu avô materno, o português José Botelho, guarda-chaves da Estrada de Ferro Central do Brasil. Casada com seu primo, o fotógrafo e jornalista José Botelho Neto, companheiro de jornadas e pesquisas, tiveram nove filhos: Marta, Rubem, Antônio José, Joaquim Maria, Judá, Marcos, Rovana, Olavo e Junia. Poetas, jornalistas, professores.

De suas histórias de professora, poetisa, romancista, contista, cronista, teatróloga, tradutora, jornalista, e, mais do que tudo, uma pesquisadora apaixonada pela cultura valeparaibana, muito temos para contar!

Ruth Guimarães foi a primeira escritora brasileira negra que conseguiu projetar-se nacionalmente desde o lançamento do seu primeiro livro, o romance Água Funda (1946), obra que até hoje tem sido reeditada graças ao sucesso de público e de crítica.

Estudiosa da cultura popular, Ruth Guimarães escreveu sobre o folclore, lendas e fábulas brasileiras, além de livros sobre medicina popular. O gosto pelo folclore brasileiro e regional pode ser considerado uma das mais expressivas contribuições dessa escritora valeparaibana à Literatura Brasileira. As histórias que só ela soube pesquisar e registrar em livros, contar e recontar em suas aulas e conferências, entrevistas e colunas, merece lugar de honra nas escolas brasileiras!

Seus escritos refletem a vida e a alma popular numa união perfeita entre a linguagem simples e a qualidade literária. Além da Língua Portuguesa, que domina com maestria, Ruth Guimarães traduz obras clássicas da Literatura Estrangeira como Balzac, Dostoievski, Daudet e Apuleio, além de ser autora de um Dicionário da Mitologia Grega.

Em Cachoeira Paulista, município em que reside e exerce o cargo de Secretária de Cultura, o legado de Ruth Guimarães ultrapassa as fronteiras de seu berço natal: é fundadora da Academia Cachoeirense de Letras, do Museu de Folclore Valdomiro Silveira e da Guarda Mirim. Ressalto ainda que é membro do Instituto de Estudos Valeparaibanos, da União Brasileira de Escritores e da Academia Paulista de Letras, título que foi outorgado a essa “menina grisalha” de Cachoeira Paulista aos 88 anos!

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Amiga de escritores consagrados como Mário de Andrade, Guimarães Rosa, Lygia Fagundes Telles e Antonio Cândido, Ruth Guimarães, que herdou do avô a profissão de guarda-chaves, vem abrindo a alma há 92 anos, para ser o relicário vivo da história e da cultura valeparaibana no Brasil e no mundo!

Que a obra de Ruth Guimarães diga o que essas poucas linhas apenas sinalizaram: mais que grandeza, majestade!

Água Funda, Calidoscópio, A Saga de Pedro Malazarte, Lendas e Fábulas do Brasil, Contos de Cidadezinha, O Mundo Caboclo de Waldomiro Silveira, Lendas e Fábulas do Brasil, Os Filhos do Medo, Histórias de Onça, Histórias de Jabuti, Mulheres Célebres, As Mães na Lenda e na História, Líderes Religiosos, Grandes Enigmas da História, Medicina Mágica: as simpatias, Crônicas Valeparaibanas.

Juraci de Faria Condé é Doutora em Educação Matemática e Professora-pesquisadora do Centro de Memória da UNICAMP.

 
 
 
 
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