Nº 54 | novembro / dezembro 2013
Editorial

Tributo a Thereza Regina de Camargo Maia | Alexandre Marcos Lourenço Barbosa

A historiadora e folclorista Thereza Regina de Camargo Maia não é apenas uma mulher surpreendente, ela é uma pessoa imprescindível.

Thereza Maia, ou Dona Thereza (como é chamada pelos amigos) não é simplesmente uma pesquisadora que se põe atrás de uma mesa diante de livros a vaguear sobre a vida e o mundo na vã expectativa de que as coisas aconteçam e se desenrolem por obra da natureza.

Ao contrário. É sabedora de que os problemas humanos devem ser humanamente resolvidos e por isso está sempre no front lutando pelas causas nas quais acredita.

Com frequência Thereza Maia é vista na vanguarda de ações como, para ficar em alguns exemplos: o tombamento e a conservação de prédios históricos, a não-transposição das águas do Rio Paraíba do Sul, a divulgação da cultura popular, o uso de prédios públicos com fins culturais, a adoção de medidas que assegurem o equilíbrio ecológico da região, a beatificação e canonização de Frei Galvão, a publicação de livros e a manutenção de museus e arquivo.

Para tanto, escreve e assina manifestos, aciona o Ministério Público, encaminha projetos para órgãos governamentais de tombamento, organiza exposições, ministra palestras, publica livros, incentiva novos pesquisadores, enriquece o acervo dos museus, fomenta o desenvolvimento do turismo religioso, mobiliza a população para os assuntos de interesse local e regional... enfim, posiciona-se.

Murilar é verbo que não cabe em seu dicionário quando se trata de definir suas atitudes.

Tal postura, entretanto, não se dá sem algum custo representado pelas retaliações geralmente desmotivadas que acaba por sofrer e que enfrenta destemidamente.

Sua firmeza e pertinácia são tamanhas que, embora dócil, Thereza sempre é uma mulher de combate. Compraz-se com uma boa causa.

Por essas e outras tantas razões Thereza Maia é daquelas pessoas imprescindíveis sem as quais muitas coisas não seriam como são ou simplesmente inexistiriam.
O que seria da cultura, da história e da memória regional sem a existência do Museu Frei Galvão mantido há 40 anos pela família Camargo Maia?

Quantos documentos e outras fontes não teriam se perdido?

Quantas pesquisas não teriam sido deixadas de serem feitas?

É difícil imaginar como estariam a cultura, a história, a memória e a pesquisa no Vale do Paraíba sem a contribuição abnegada de Thereza e de seu esposo Tom.

A mais recente contribuição de Thereza Maia à cultura do Vale do Paraíba, enquanto diretora do Museu Frei Galvão, nasce de uma parceria firmada com o jornal O Lince com a finalidade de digitalizar e disponibilizar o acesso às coleções de jornais antigos e de outras fontes primárias que compõem um dos mais importantes acervos da região.

Gradativamente, as coleções de jornais que remontam ao século XIX, serão fotografadas e transformadas em arquivos PDF (Portable Document Format) para, em seguida, como Formato Portátil de Documento, serem hospedadas no site do jornal O Lince para acesso gratuito.

Para tanto, o site cria, nesta edição, um item de menu denominado Arquivo Digital no qual serão encontrados os documentos à medida em que forem digitalizados e as imagens tratadas e convertidas.

Na virada de 2013, Thereza Regina de Camargo Maia, essa mulher que se agiganta quando o assunto é preservação e democratização do acesso à cultura visando a educação das novas gerações, dá mais um exemplo de nobreza de caráter abrindo, através da Internet, o acervo de Museu Frei Galvão para o mundo.

Enquanto isso, certos governantes se apequenam no despreparo técnico e na mesquinhez política de decisões que afrontam a lei e a ética.

Alexandre Marcos Lourenço Barbosa

 
 
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