Nº 47 | setembro / outubro 2012
Educação

Colóquio “Preservação de Documentos”, em Taubaté | Da Redação

Aconteceu no dia 17 de agosto, no Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH), da Universidade de Taubaté, sob a coordenação de Joaquim Roberto Fagundes, o Colóquio “Preservação de Documentos”, com o objetivo de abrir discussões em torno do assunto para o Vale do Paraíba. Isto por que a região possui um número considerável de instituições culturais com acervos expressivos da cultura material e imaterial, especificamente arquivos contendo fontes escritas e imagéticas. E todos sem o devido aparato técnico e instrumental para a sua guarda, conservação e disseminação.

E durante o evento, tomando como fulcro tal situação, foram levantadas algumas questões fundamentais acerca de identificar, sumariar, salvar e propor soluções teóricas e práticas para essas instituições, cujos documentos têm procedências e assuntos variados. Como também aspectos complexos e multifacetados.

O quesito principal que abriu a discussão foi o resgate e a réplica da informação intrínseca aos fundos documentais como objeto de preservação pouco discutido, analisado e sistematizado. Uma necessidade premente originária de experiências no campo da pesquisa, principalmente pela ausência de instrumentos de pesquisas capazes de responder de imediato as demandas dos cursos de pós-graduação. E da real importância das fontes como instrumento didático para o ensino de disciplinas específicas nos ensino público e particular, em todos os níveis de formação; notadamente na história. Daí a ideia de que a preservação estende-se além da sua proteção física, remetendo também para a criação de métodos e normatizações capazes de recuperar a maior quantidade possível de temas, assuntos, palavras e contextos inseridos em cada corpo documental ou processo individual. Uma conjunção de parâmetros, portanto, que contemple a ação de profissionais de diversas áreas, para a produção de repertórios completos que leve em consideração as características da produção dos documentos brasileiros desde o século XVI. Acrescido do conhecimento prévio das instituições governamentais portuguesas e brasileiras (funcionamento, tipologia dos seus agentes e correlações verticais e horizontais). Com tal perspectiva e consequente aplicação, tal como um laboratório, haveria a possibilidade de elaborar projetos de disseminação e replicagem das informações, ampliando, desse modo, a abrangência do uso documental por todos os níveis da sociedade; seja institucional ou não. A baliza é que o Vale do Paraíba é um extenso celeiro para aplicabilidade de um projeto dessa natureza.

Outro aspecto abordado foi a precariedade dos arquivos na região, presentes notadamente nos museus, aonde a preocupação com fontes escritas não chega a ser o ideal em termos de conservação e objeto de ações concertas.

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No mínimo a realidade consiste em apenas arranjo e descrição de forma precária (instalações em prédios impróprios, suportes e equipamentos de arquivamento e de trabalho inadequados), ausência de recursos financeiros, técnicos e de mão de obra especializada e cursos técnicos. Falta de apoio governamental, desconhecimento da legislação pertinente ao amparo dos acervos, mecanismos de incentivo cultural e formatação de projetos. Além da completa inexistência de planos arquivísticos contemplando missão, objetivos e instrumentos de ação que possam nortear o trabalho contínuo de instituições dessa natureza.

E ainda neste aspecto, foi suscitada a falta de uma decisiva política de ação educativa em arquivos, o que, entre outras coisas, se existisse, poderia elevaria o nível de consciência de conservação do patrimônio regional por parte da sociedade ou comunidade. Proporcionando também a elaboração de mecanismos e parâmetros complementares das fontes e sua aplicabilidade como instrumento de conhecimento da história, com recursos criativos, didáticos e lúdicos, como a elaboração de cartilhas, jornais e o uso da genealogia, etc.

Também foi relatado sobre uma política para a criação de arquivos municipais, gestão organizacional, administrativa e recolhimento de fontes. Nesse sentido foram evidenciadas as relações profissionais multidisciplinares e a inexistência na grade curricular dos cursos de história de disciplinas pontuais sobre fontes, acervos e arquívistica. Deste modo, o olhar do historiador na criação, gestão e organização dos dados seria fundamental.

Por último, foi evidenciada a necessidade de alguns órgãos culturais independentes, como o Instituto de Estudos Valeparaibanos (IEV) ter participação ativa na gestão e na preservação dos arquivos no Vale do Paraíba.

Em conclusão, o colóquio terminou com a proposta de outros encontros e colóquios sobre o tema, a criação de um grupo no facebook e a discussão sobre um levantamento sistemático de arquivos e fontes na região, com o intento de conhecer e fazer um diagnóstico real.
 
 
 
 
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