Nº 47 | setembro / outubro 2012
Educação

Fazenda São Francisco inaugura Museu de Arte | Da Redação

A Fazenda São Francisco, no município de São José do Barreiro, SP, é a mais antiga da região, datada de 1813. Restaurada a partir de 1984, preservou a construção em taipa de pilão, adobe, madeira e pedra, assim como portas, assoalhos e ferragens.

Os fundadores são descendentes de Joaquim Ferreira de Souza, proprietário das primeiras sesmarias da região (1792 e 1796).

O brasão de entrada da casa sede de 1813, com as iniciais do capitão-mor Antonio Ferreira de Souza (AFS), neto de Joaquim Ferreira de Souza é a referência mais longínqua da historicidade da fazenda.

Digno de nota o fato ocorrido com o capitão-mor Antonio Ferreira de Souza, proprietário da Fazenda São Francisco, homem de muita terra e escravos. Grande produtor de café.

Nos idos de 1850, a então província do Rio de Janeiro pretendia englobar toda essa região do extremo leste do estado de São Paulo, riquíssima pela relevante produção cafeeira. A intenção explícita era a de também usufruir desse manancial financeiro.

Essa anexação de terras era contrária aos interesses dos ricos fazendeiros da região, hoje conhecida como Vale Histórico. E o capitão-mor Antonio Ferreira de Souza, defendendo os produtores (e a si mesmo) valeu-se do fato de ser presidente da Câmara para angariar votos dos deputados de São Paulo impedindo, assim, a junção do atual Vale Histórico ao estado do Rio de Janeiro.

Desde a década de 40, a Fazenda São Francisco pertence à família Ferreira Leite.

Atualmente, é administrada pelo casal Walton Ferreira Leite Júnior e Eliana Torres Ferreira Leite que busca preservar a autenticidade do imóvel e dá ênfase ao resgate da memória da região, da Fazenda São Francisco e do período histórico em que está inserida.

Além da própria edificação colonial rústico português há a singularidade do mobiliário francês do século XIX, herdado por gerações e que, íntegro, ocupa alguns aposentos. As obras de arte, já incorporadas ao ambiente rural, demonstram preocupação com a valorização de artistas brasileiros - Antonio Parreiras, Volpi, Henrique Cavallero, Aldemir Martins, Sergio Teles, Marcier, Aurélio de Figueiredo.

A Fazenda São Francisco há 15 anos se insere no segmento turístico histórico-rural, como “home stay” e oferece seis quartos para hóspedes na casa sede.

Acreditando que investir em Educação é fundamental, de forma liberal, uma vez que as visitas são gratuitas, os proprietários participam do Turismo Pedagógico Público proposto pelo governo estadual, propiciando aos estudantes maior acesso à cultura nacional.

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Oficializada em 2008, a Sala de Memórias Fazenda São Francisco abriu ao público, em geral, um pequeno acervo que remonta à história da região, como o Oratório policromado, a imagem portuguesa em madeira de São Francisco, peças bordadas em linho e utilizadas pela Princesa Isabel durante sua hospedagem em Areias-SP (circa 1872).

A Sala objetiva preservar a memória da Fazenda São Francisco e entorno divulgando a história da região de São José do Barreiro, contribuindo, então, para a cultura da sociedade local e para o turismo do Vale Histórico.

Assim, no limiar de seus duzentos anos, a Fazenda São Francisco se direciona a perpetuar a história e tradições do Vale do Paraíba paulista.

E essa mesma Sala de Memórias, desdenhando dificuldades financeiras, abre o leque abraçando ousado projeto cultural: o espaço artístico Museu Armando Vianna, a ser inaugurado em 1º de setembro.

A relevância do artista, com cerca de 50 trabalhos de diferentes fases, é ímpar, pois durante 80 anos representou o país com sua pintura, sobretudo, Acadêmica.

A iniciativa, pioneira, traz a proposta para que esse ponto de cunho museológico seja uma base de irradiação para outros projetos de ordem cultural em uma região, sabidamente rica em História, mas paupérrima em cultura.
Armando Martins Vianna nasceu no Estácio, Rio de Janeiro, em 1897 e se dedicou sempre à pintura, sobressaindo-se a Academica. Ganhou todos os prêmios nos Salões de que participou, sendo o principal o de Viagem ao Estrangeiro em 1926.Estudou aqui e no exterior com grandes mestres e foi professor de pintura durante mais de 7 décadas. Seus quadros estão nos principais museus brasileiros, como o MNBA, o Museu da Cidade do Rio, o Mariano Procópio, o Museu da República, com óleos e painéis. Sua tela premiada Primavera em Flor, de 1926, tem lugar permanente no Museu Nacional de Belas Artes. Ainda não tinha seu Museu. Como frequentou a Fazenda São Francisco, onde executou várias pinturas, e por acerto com os familiares, abre-se agora na Fazenda São Francisco o Museu Armando Vianna, com 50 trabalhos, objetos, fotos, prêmios, recortes de jornais e revistas. Será permanente e resgatará um pouco da Cultura de uma região até agora esquecida, o Vale Histórico. A inauguração festiva aconteceu em primeiro de setembro, às quinze horas. Armando Vianna é afro-descendente, tendo sua mãe sido escrava alforriada.
 
 
 
 
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