Nº 45 | maio / junho 2012
Retrato

Cardeal Motta: o pioneirismo do primeiro Bispo de Aparecida | Wanderley Alves dos Santos

A Origem

Nasceu na fazenda Quinta do Lago, em Bom Jesus do Amparo, interior de Minas Gerais, em 16 de julho de 1890, onde os pais tinham ido em visita de família. Seus pais foram o Sr. João de Vasconcellos Teixeira da Motta e Dona Francisca Josina dos Santos Motta, católicos praticantes e descendentes de tradicionais famílias mineiras. Foram seus avós paternos: o Coronel Joaquim Camilo Teixeira da Motta e Dona Maria Josefa Teixeira da Motta, e avós maternos: o Sr. Carlos José dos Santos e Dona Emerenciana Maria Pinto (ARQUIDIOCESE DE APARECIDA, 1990, p. 14).

Nascido prematuramente, aos sete meses, foi batizado em 2 de agosto de 1890, na Fazenda da Prata, residência da família, pelo padre Manuel Maria da Silva. Foram padrinhos: o Dr. Carlindo dos Santos Pinto, representado pelo Sr. José Afonso dos Santos Lima e Dona Maria da Natividade Teixeira da Motta. Seu pai foi deputado à Assembléia Provincial de Minas Gerais, durante o Império. Seu avô, Coronel Joaquim Camilo Teixeira da Motta, exerceu a presidência da Província de Minas Gerais. Seu bisavô, Coronel João da Motta Ribeiro, português, chegou ao Brasil em 1795, acompanhado de seu primo João Alves Motta, para receberem uma herança em terras, deixada por um tio. João da Motta Ribeiro tornou-se proprietário de muitos latifúndios e de importantes jazidas de ouro. O Desembargador Dr. José Teixeira de Vasconcellos, Visconde de Caeté, também seu bisavô, foi o primeiro Presidente Constitucional da Província de Minas Gerais (ARQUIDIOCESE DE APARECIDA, 1990, p. 15).

Carlos Carmelo iniciou os seus estudos na Fazenda da Prata, residência da família, onde também recebeu a Primeira Comunhão. Concluído o curso primário, ingressou no Colégio de Matozinhos, em Congonhas do Campo, Minas Gerais, na época dirigido pelos Irmãos Maristas. Em 1904, passou para o Seminário de Mariana, Minas Gerais, onde se bacharelou em Ciências e Letras, em 1909. Regressou, então, para a Fazenda da Prata, onde passou a se dedicar às atividades agrícolas (ARQUIDIOCESE DE APARECIDA, 1990, p. 15-16).

Estudava muito para saber. Pois um homem sem saber é um pequeno mundo sem luz, um mundo em que não aparecem as estrelas, porque se ignoram as verdades; em que não se vêem os princípios porque se não conhecem os enganos; em que o vício se equivoca com a virtude, a realidade com a aparência. Eis porque a vida de um ignorante é uma noite contínua em que todas as suas ações são cegueiras (VIDIGAL, 1973, p. 30).

O Político

Seguindo o exemplo de seu pai, manifestou interesse pela política, sendo eleito vereador para a Câmara Municipal de Caeté, em 1912. Entretanto, resolveu continuar os seus estudos, seguindo para Belo Horizonte, onde cursou o primeiro ano da Faculdade de Direito (ARQUIDIOCESE DE APARECIDA, 1990, p. 16).

O Padre

Sentindo-se, realmente, chamado para o sacerdócio, se matriculou no Curso de Teologia do Seminário Maior de Mariana, Minas Gerais, em 1914. Em março do ano seguinte, recebeu o primeiro grau do clericato. Dom Modesto Vieira, Bispo Auxiliar de Mariana, conferiu-lhe as ordens menores, em 8 de abril de 1916. Em 25 de março de 1917, recebeu o subdiaconato, e o diaconato em 10 de abril do mesmo ano. Em 29 de junho de 1918, foi ordenado sacerdote pelo Arcebispo de Mariana, Dom Silvério Gomes Pimenta.

Conforme escreve Vidigal: “Saiu do Seminário de Mariana com aquele espírito de Fé e de Caridade que faz os Santos Padres e que anuncia os grandes Bispos, e preparou o futuro Cardeal, o primeiro nascido em Minas Gerais” (1973, p. 31).

O Padre Carlos Carmelo celebrou a sua primeira missa na Matriz do Santíssimo Sacramento, na Paróquia de Taquarassú, Minas Gerais. Logo após, recebeu um convite do Presidente Wenceslau Braz e de líderes da política mineira, para que aceitasse o lançamento de sua candidatura para deputado federal. Alegando incompatibilidade entre política e ministério sacerdotal, não aceitou o convite. Continuou em Taquarassú, na qualidade de Coadjutor do Vigário, até 29 de março de 1919, quando foi nomeado Capelão do tradicional Asilo São Luiz, na Serra da Piedade, em Caeté, Minas Gerais (VIDIGAL, 1973, p. 32).

Durante o surto da chamada “gripe espanhola”, desenvolveu importante apostolado entre os enfermos, colocando em risco a sua própria saúde. Em 1922, assumiu a direção do Santuário de Nossa Senhora da Piedade e do Convento de Macaúbas, dos quais seus ascendentes paternos e maternos foram benfeitores e protetores. Nos anos seguintes foi pároco nas cidades mineiras de Caeté e Sabará (VIDIGAL, 1973, p. 32).

Em 1926, empreendeu uma viagem de estudos à Europa, visitando Roma (Itália), Espanha, Portugal e França. Quando regressou, foi agraciado pelo Papa Pio XI, com as honras de Monsenhor Camareiro Secreto. Com a fundação do Seminário de Belo Horizonte, em 1928, foi convocado por Dom Antônio dos Santos Cabral, Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, para ocupar a reitoria daquele estabelecimento. O então Monsenhor Carlos Carmelo dirigiu o Seminário até a sua ordenação episcopal (VIDIGAL, 1973, p. 32).

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Brasão Cardinalício



Brasão Cardinalício

Descrição: Escudo eclesiástico, parti-do: o 1º de sinopla, com cinco flores-de-lis de jalde postas em sautor - Ar-mas dos Mottas; o 2º de sable com três faixas veiradas de argente e goles - Armas dos Vasconcellos. O escudo está assente em tarja branca, na qual se encaixa o pálio branco com cruzetas de sable. O conjunto pousado sobre uma cruz trevolada de duas travessas de ouro. O todo encimado pelo chapéu eclesiástico com seus cordões em ca-da flanco, terminados por quinze borlas cada um, tudo de vermelho. Brocante sob a ponta da cruz um listel de goles com a legenda: IN SINV IESV, em letras de jalde.

Interpretação: O escudo oval obedece as regras heráldicas para os eclesiásti-cos. Os campos representam as armas familiares do Cardeal. O Campo de sino-pla (verde) representa: esperança, liber-dade, abundância, cortesia e amizade. As flores-de-lis simbolizam: candura, castidade, pureza, poder e soberania, sendo de jalde (ouro) traduzem: nobre-za, autoridade, premência, generosida-de, ardor e descortínio. No 2º, o esmalte sable (negro) do campo simboliza: a sa-bedoria, a ciência, a honestidade, a fir-meza e a obediência ao Sucessor de Pedro; as faixas veiradas representam as pontas de peles variadas que orna-vam os mantos da nobreza, sendo que pelo seu metal argente (prata) simboliza a inocência, a castidade, a pureza e a eloqüência, virtudes essenciais num sa-cerdote; e, pela sua cor goles (verme-lho), simboliza o fogo da caridade infla-mada no coração do Cardeal pelo Divino Espírito Santo, bem como, valor e socor-ro aos necessitados. O listel tem como lema: No Seio (Coração) de Jesus, sen-do uma afirmação da confiança do car-deal na promessa de Jesus, de quem nEle espera jamais será confundido.


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Wanderley Alves dos Santos é graduado em História pela UNITAU

 
 
 
 
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