Nº 45 | maio / junho 2012
Entrevista

Silvério Pontes | Da Redação

Zé da Velha e Silvério Pontes acabam de lançar o sexto CD da dupla, “Ouro e Prata”, para comemorar os 25 anos de carreira daquela que é considerada pela mídia como a “Menor Big Band do Mundo”.

Zé da Velha, nome que herdou de seu envolvimento musical com músicos da “Velha” Guarda como Pixinguinha, Donga e João da Baiana, representa o legado da geração de Pixinguinha.
Silvério Pontes, trompetista dedicado ao choro, tocou com Tim Maia, Luis Melodia, Ed Motta, Elza Soares e outros grandes nomes da MPB.
Nesta entrevista, conduzida pelo historiador Toni Figueiredo, Silvério Pontes fala da carreira, da dupla, do choro, de Bomfiglio e da nova produção.

O Lince – Conte-nos como foi o início de sua carreira e do seu imenso amor à música, em especial o Choro.

Silvério Pontes – Comecei a tocar trompete ainda garoto na Banda da minha cidade, Laje do Muriaé, Estado do Rio de Janeiro. Meu pai era trompetista e nossa família muito musical, tios e primos sempre tocando algum instrumento... meu amor pelo choro acho que é espiritual, na banda quando criança já tocava maxixes, valsas, dobrados etc... Mas com certeza, meu maior incentivador e mestre nesse estilo é o Zé da Velha; o conheci na década 80 daí a coisa ficou mais séria. Esse ano estamos completando 27 anos de parceria e seis CDS. O meu amor pelo Choro se confirmou com essa parceria! Independente de tocar outros estilos e com nomes da MPB como Tim Maia, Luis Melodia e de ter gravado com muitos artistas, minha carreira como instrumentista se confirmou com a nossa dupla. Amo a música!!

O Lince – Como você definiria o Choro dentro da Música Popular Brasileira?

Silvério Pontes – A melhor música instrumental brasileira, na minha opinião, é o choro, uma música completa e difícil de ser tocada e ainda temos três partes... e tenho certeza que poderia ser uma música muito popular no Brasil e no Exterior...apesar de ser uma das mais antigas ainda é nova nos ouvidos do mundo e pouco divulgada pelos meios de comunicação... lamentável! Qualquer criança quando escuta gosta, o que precisamos é divulgar e mostrar que a nossa música é uma das melhores!

O Lince – Quando e como teve início a sua parceria musical com o extraordinário Zé da Velha?

Silvério Pontes – Conheci o Zé, como disse anteriormente, nos anos 80, no centro do Rio de Janeiro. Eu já era fã e conhecia ele de rádio e disco tocando com Paulo Moura e outros músicos, nossa parceria se firmou mesmo depois do primeiro CD, em 94, quando fomos indicados para o Prêmio Sharp na época, acho que a receita da nossa musica é muito respeito com nosso público e tocar de uma maneira que fica bom de ouvir e alegrar os corações dos ouvintes, não temos a preocupação com críticas, e sim com nosso público fiel...

O Lince – Qual a importância da obra de Bomfiglio de Oliveira para a Música Popular Brasileira?

Silvério Pontes – Falar do mestre Bomfiglio é um prazer e muita emoção, acho que tenho uma ligação com ele... Sinto ele sempre presente na minha vida, sua obra é uma riqueza de melodias maravilhosas e com muito suingue, ele tá presente sempre nos nossos CDs, o meu sonho é realmente recuperar toda sua obra, em Cds e livros de partituras, biografia já elaborada pelo professor Tony, só assim as crianças brasileiras vão poder conhecer sua obra e os músicos do mundo vão poder tocar e se encantar com elas... quem sabe?
No Brasil, finalmente, o Ministério da Cultura, com a “Lei Rouanet”, nada fica impossível de fazer para recuperar a obra! Sonho para a cidade de Guaratinguetá, meu e da família do Mestre.

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O Lince – Fale da repercussão de sua gravação de “Flamengo”, de Bomfiglio de Oliveira, no Japão.

Silvério Pontes – No Japão tem um público especifico do Choro e fiel... acho que eles gostaram da maneira que toquei. Fui convidado pelo amigo maestro Henrique Cazes num CD que foi lançado só no Japão, e ele me pediu parar tocar parecido com que o mestre Bomfiglio executou (rsrsrsrs). Acho que ficou bom, mas ele tirava um som de violino no trompete com muito vibrato... ficou bonito, não igual.

O Lince – É verdade que existem grupos de Choro em Tóquio?

Silvério Pontes – O Japão tá infestado de música boa do Brasil: Choro, Samba e Bossa Nova. Eles sabem o que é bom (rsrsrsrs).

O Lince – Você participou de um filme que conta a história do Choro – “Brasileirinho”, de Mika Kaurismäki. Fale dos bastidores dessa importante produção cinematográfica.

Silvério Pontes – Lindo e merecido. O Brasil precisava mostrar essa riqueza musical para a Europa, pelo que sei, foi lançado em 40 países, essa é um boa forma de mostrar para o mundo que nós estamos aqui com música boa. Foi emocionante toda gravação, toda produção.

O Lince – Você e o Zé da Velha estão lançando um novo CD. Quais os compositores selecionados?

Silvério Pontes – Esse CD é o sexto da dupla, chama-se “Ouro e Prata” – 50 anos de música do Zé da Velha e 25 da nossa parceria, pela nossa alegria de podermos estar tocando todo tempo juntos. Dedicamos esse CD para o nosso público e a todos os dançarinos de gafieira. Com quase 27 anos juntos, não tínhamos uma música em parceria, então ai: Nas Velhas Pontes e mais dois choros autorais, acho que está muito elegante, sou suspeito (rsrsrsrs).

O Lince – Como está a agenda de shows?

Silvério Pontes – Está boa! Sempre temos convite para tocar em todo o Brasil... graças a Deus.

O Lince – Quais os grupos de Choro da atualidade que você destacaria?

Silvério Pontes – Acho que nós estamos bem representados pela juventude ‘Chorona’... Destacaria os Matutos, grupo de músicos jovens, de Cordeiro-RJ, que hoje estão no Rio. Dudu Braga (cavaquinho), de Belo Horizonte, os músicos do Clube Choro de Brasília. Em São Paulo, gosto das garotas Três no Choro, Papo de Anjo e outros... tem muita coisa boa, o que falta é divulgar mais nas TVs. Em todas as cidades brasileiras temos um movimento de Choro, como se fosse uma religião. O que a mídia precisa é divulgar mais esta cultura.
 
 
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