Nº 48 | novembro / dezembro 2012
Educação

Escola de Música de Queluz: educando para a vida | Alberlei Schlögl

Os caminhos da música



Falar sobre a Escola Municipal de Música Antônio Sérgio Camilo é resgatar parte da história das Bandas no Brasil e no Vale do Paraíba. Quando os Jesuítas chegaram a estas terras, recém-descobertas, com a missão de catequizar o povo nativo, criaram pequenos grupos musicais para acompanhar os ofícios religiosos. Traçar, então, uma ligação com as bandas ainda em funcionamento no Vale do Paraíba, que acompanham as procissões, é inevitável.

Em 1825, vimos surgir em Pindamonhangaba, a Corporação Musical Euterpe (em alusão deusa da música). Em 1873, em Lorena, a Corporação Musical Mamede de Campos, que segundo o maestro Vinícius Borges Arruda, é uma banda ativa. “Assim como a Euterpe, encontra-se em plena atividade e estão entre as 20 Bandas de Música mais antigas do país”, salienta.

Seguindo o curso do rio Paraíba, nas terras compreendidas entre este rio, os ribeirões das Cruzes e Entupido, concedidas aos índios Purís em 12 de dezembro de 1801 por Antonio Manoel de Mello Castro e Mendonça, Comendador da Ordem de São Tiago, Governador e Capitão Geral da Capitania de São Paulo, terras estas que receberam o nome de São João Batista de Queluz, organiza-se, sob a direção de Alfredo Teixeira de Castro, uma Banda de Música que se chamou União Recreativa.

Estava dado o primeiro passo. A partir deste momento a música encontraria guarida permanente nos corações dos queluzenses. Este envolvimento dos cidadãos com a arte musical somente seria quebrado quando da participação da cidade na revolução de 1932.

Sucesso musical



É na antiga tradição musical em Queluz que se destacou Francisco Carlos da Silveira, o Maestro “Chico Carlos”, nascido em Silveiras no ano de 1851. Viveu em Queluz entre 1886 e 1898, e aí organizou e dirigiu muitas vezes a orquestra para as tradicionais festas de junho em homenagem ao padroeiro da cidade, São João Batista. Outros nomes podem ser lembrados em Queluz, como o Dr. Antonio Ezequiel Alves de Camargo, nascido em 1852. Foi professor de música e posteriormente Juiz de Direito em São Luiz do Paraitinga. Registra-se também o nome de Francisco Bocaina, silveirense de nascimento e que deixou fama como bom músico e violinista. Em Queluz, há ainda a tradição de um músico notável, “o pintor negro, conhecido por Mestre Adão”. Também ali existiu uma banda de pretos escravos, criada pela fazendeira D. Maria Martins e dirigida por um alemão. O Maestro Lírio Panicalli é outro ilustre queluzense que dominou as rádios de São Paulo e Rio de Janeiro de 1930 a 1960. Queluz também pode ser considerado berço do samba. Foi daqui que saiu Natal da Portela, fundador da Escola de Samba.

Uma nova corporação musical



Em 17 de julho de 1955, a Corporação musical da cidade é apresentada à comunidade com seu atual nome: Lyra Queluzense. Muitos foram os artistas que nasceram e se desenvolveram imersos nessa atmosfera musical. Vale ressaltar a família Camilo, cujo patriarca, Jorge, que deu início a tradição musical, chegou ao posto de capitão músico, sendo regente da Banda do 5º BIL de Lorena.

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O maestro Vinicius lembra que em 1993, no dia 7 de setembro, por ocasião do desfile cívico “ocorreu o divisor de águas da história da música queluzense. Naquele dia apresentou-se pela primeira vez a Banda Marcial do Colégio Estadual Paula França, deixando a população atônita devido a sua diferente formação e composição. Quase todos os participantes eram jovens músicos da cidade!” Estava selado o compromisso dos munícipes com a deusa Euterpe. Certamente, Santa Cecília, padroeira dos músicos, encontrou seu espaço ao lado de São João, padroeiro da cidade.

Um local de aperfeiçoamento



Com o intuito de educar musical-mente, em 2002, o atual prefeito de Queluz, José Celso Bueno, como secretário de cultura trouxe para a cidade o Projeto Guri. O polo do Guri no município foi um dos primeiros no Vale do Paraíba, atendendo um total de 150 crianças de 8 a 18 anos. Esse projeto é fundamental para a inicialização musical e social dos jovens, primeiro porque oferece cultura a esta parcela da sociedade, tirando-os da ociosidade, oferecendo uma ocupação e, por que não, uma profissão.
Antes disso, a procura por parte da população de locais onde pudessem aprender a tocar um instrumento fez com que em 12 de março de 2001, por meio dos esforços do então secretário da cultura José Celso e do prefeito Mario Fabri Filho, fosse assinado o decreto que criava a Escola Municipal de Música de Queluz, que em homenagem a um notável músico queluzense recebeu o nome de Antônio Sérgio Camilo.

A missão da Escola de Música, vai muito além do ensinar. Ela educa para a vida. Desenvolve a disciplina, a autoestima e a sociabilidade. Forma, antes de tudo, o cidadão. É claro que muitos poderão vir a tornarem-se profissionais, atuando em orquestras, bandas, conjuntos, igrejas, nas escolas etc.

Trilhando o caminho da profissionalização, a Escola Municipal de Música Antonio Sérgio Camilo possui uma banda marcial e sinfônica sob a regência do professor Leandro Alves, um conjunto de metais sob a orientação dos professores Leandro Alves e Janderson Rodrigues Sabino, uma Big Band (orquestra com formação instrumental das bandas de baile das décadas de 40 e 50. No Brasil, com esta formação, tivemos a famosa Orquestra Tabajara) e um quarteto de Saxofones sob a direção do professor Vinicius Borges Arruda. Conjuntos esses que se apresentam em várias cidades do Vale do Paraíba, incrementando movimentos culturais e também, e principalmente, levando ao público a possibilidade do encontro com todos aqueles sentimentos que uma verdadeira obra de arte suscita na alma humana.

Alberlei Schlögl é graduado em Psicologia e em Música e mestre em Gerontologia.

 
 
 
 
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