Nº 46 | julho / agosto 2012
Educação

Ciência viva
show de energia no ensino médio | Prof. Dr. Galeno José de Sena

Nos últimos anos, uma preocupação de vários setores da sociedade tem sido o déficit na formação de engenheiros. E é possível entender esta preocupação para um país cuja economia se encontra em crescimento. Segundo informações do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial – IEDI (http://www.coe.ufrj.br/~richard/EEE200/Engenharia no Brasil.pdf) há uma demanda crescente por profissionais de engenharia no Brasil. No entanto, a formação de engenheiros no Brasil, além de ser baixa, tem diminuído em termos percentuais (5,6% dos egressos de cursos superiores no Brasil em 2000 eram engenheiros; em 2008, este percentual caiu para 5,1%).

Várias razões podem ser pensadas como hipóteses para esta diminuição do interesse não apenas para as engenharias, mas para as áreas tecnológicas em geral. Mais especificamente com relação às engenharias, um possível fator seria a dificuldade inerente à formação do engenheiro em si. Para exemplificar, o curso de Engenharia Mecânica, uma das modalidades mais tradicionais de engenharia, envolve uma carga horária elevada e uma formação básica (nos dois primeiro anos) normalmente considerada pelos estudantes como “pesada” e de certa forma, desestimulante, pois o aluno em geral não vê relação entre os conteúdos de Física, Cálculo e Álgebra estudados e sua futura atuação como engenheiro. Mas há também outro fator que muito provavelmente contribui para a falta de interesse não apenas pelas engenharias, mas para as áreas de exatas em geral, que é a deficiência na formação básica dos estudantes, particularmente com relação aos componentes curriculares Matemática e Física. Nos projetos que temos desenvolvido, nas interações com os alunos, é comum nos defrontarmos com indagações do tipo “para fazer engenharia é necessário saber muita matemática?”.

Esta deficiência de formação pode estar relacionada à falta de motivação dos alunos para os conteúdos trabalhados, o que pode, por sua vez, decorrer da falta de contextualização dos conceitos apresentados. Ainda que os Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino médio (http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/ciencian.pdf) apresentem como diretrizes a contextualização e o enfoque interdisciplinar, na maioria das escolas pouco ou quase nada se observa em termos de inovações pedagógicas. Quando muito, há iniciativas individuais de alguns professores, em suas respectivas disciplinas. Observa-se também que a maioria das escolas não faz uso da experimentação ou até mesmo de demonstrações como recursos didáticos, os quais indubitavelmente contribuiriam para a contextualização dos conteúdos trabalhados. Pela nossa experiência nos projetos desenvolvidos, a falta de utilização destes recursos deve-se, em parte à falta de preparo do professor para atividades de laboratório, mas, sobretudo, à falta de laboratórios apropriados na maioria das escolas.

Com vistas a contribuir para despertar ou aumentar o interesse dos alunos de escolas de Ensino Médio (EM) para as áreas tecnológicas em geral e, mais especificamente, para as engenharias, a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP propôs, através de uma iniciativa da equipe de pesquisadores do Laboratório de Energia, Meio Ambiente e Sustentabilidade – EMAS, da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá (FEG), o desenvolvimento do projeto “Lab InCognITA – Laboratório de Inovação, Informação, Tecnologia e Aprendizagem”. A meta inicial do projeto consistia na estruturação do laboratório (Lab InCognITA) que deveria conter equipamentos, dispositivos e kits para a realização de experiências e demonstrações a respeito de conceitos de energia, além de recursos de Informática e audiovisuais.

A proposta foi submetida, em 2006, para a chamada Pública MCT/FINEP/FNDCT – PROMOVE – Engenharia no Ensino Médio, que tinha como objetivo principal: “selecionar propostas para apoio financeiro a projetos inovadores que promovam maior interação das escolas de engenharia com as atividades de ensino de ciências exatas e naturais de nível médio, visando a despertar vocações e recrutar mais e melhores estudantes para as áreas tecnológicas”.

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Para a execução do projeto, fez-se necessária a celebração de um Convênio, em 2008, entre a Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP (http://www.finep.gov.br) e a UNESP (convênio nº. 01.08.0386.00, referência nº. 5017/2006), com a anuência do Governo do Estado de São Paulo (devido à participação de escolas de EM jurisdicionadas à Diretoria de Ensino – DE Guaratinguetá). A liberação da primeira parcela de recursos do Convênio foi efetivada no final de 2009. Em 2010 a equipe de pesquisadores trabalhou na organização do Laboratório InCognITA, adquirindo os principais equipamentos e kits de experimentos, bem como os computadores e softwares, necessários para o desenvolvimento das atividades do projeto.

As ações do projeto propriamente ditas tiveram início em 2011. Além da estruturação do Lab InCognITA, o projeto previa a realização de atividades tanto para os alunos como para os professores. As ações para os alunos envolvem, dentre outras atividades, a realização de shows de energia e de mostras de energia. O show de energia consiste em uma série de demonstrações de experimentos de Física, com ênfase em conceitos relacionados à energia. A mostra corresponde a uma exposição permanente de experimentos e equipamentos, em uma área apropriada do Lab InCognITA. Os equipamentos e experimentos são dispostos de forma a permitir a circulação de alunos e professores das escolas de EM entre os mesmos, durante eventos designados de visitas à UNESP, em que turmas de alunos acompanhadas por professores, vêm conhecer o Campus da FEG/UNESP. Durante a mostra são realizadas demonstrações e explicações relativas a conceitos de energia. As mostras são realizadas para turmas de 20 a 30 alunos por vez, ao passo que um show pode ser realizado para um público de até 200 expectadores. Por esta razão, e tendo em vista também a expectativa prevista no projeto de se procurar atingir o maior número possível de alunos de EM das escolas da região da DE Guaratinguetá, optou-se pela realização dos shows nas escolas. Os shows e mostras são realizados por monitores, que são alunos dos cursos da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá e do Colégio Técnico Industrial de Guaratinguetá, atuando como bolsistas no projeto. Com relação aos professores, o projeto prevê a realização de cursos de capacitação. Neste artigo, enfatizaremos apenas as ações destinadas aos alunos, em particular as referentes ao show de energia.

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Galeno José de Sena é Doutor em Física e professor do Departamento de Matemática na Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá - UNESP.

 
 
 
 
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